Belu

Argentina

Belu

 

Sabemos que a obra de arte é a ponte emocional entre o artista e o observador. É muito interessante observar esse fenômeno. Quando de frente para a imagem, o observador, hipnotizado, passa longos minutos imóvel, fascinado, os olhos capturando cada pincelada, num transe de identificação e fascínio.

Imaginamos sempre que a sensibilidade que conseguiu essa comunicação só pode vir com a experiência de vida que os anos trazem. Alguém que viveu, sofreu e soube traduzir as sensações em luz e cor.

 

Mas nem sempre é assim. Da mesma forma que Mozart surpreendeu ao compor com 5 anos, há artistas muito jovens que conseguem nos impressionar e nem acreditamos que tão pouca idade possa abrigar tanto discernimento.

A artista visual argentina Belu é um desses casos raros. Quem descobre sua idade depois de ver seu magnífico trabalho hiperrealista, se surpreende duplamente.

 

A afinidade com as artes ficou clara muito cedo. Com 9 anos, em Palermo, Buenos Aires, ela começou o estudo formal da arte, tendo como objetivo inicial ver suas pinturas expostas nas paredes do estúdio como as dos alunos mais velhos. Alunos que serviram de inspiração para Belu que, a cada dia deixava mais claro seu enorme talento.

 

Com 14 anos, o traço firme nas pinturas hiperrealistas a colocou estudando com os adultos. Pela internet, as primeiras reações de admiração e estímulo chegam do mundo inteiro. Rostos marcantes, vividos, sofridos, crianças, idosos. Muitas vezes em sintonia com a natureza. Lobos e cordeiros interagem com as pessoas em imagens que trazem referências aos artistas que Belu admira: Lucian Freud, Guillermo Lorca García H, Antonio Berni, além de fotógrafos como Lee Jeffries e Dorothea Lange.

 

Uma arte forte, com imagens marcantes. Aspectos argentinos que projetam Belu para o mundo. Cumprindo o destino do artista que, ao cantar sua vila, canta o mundo todo. E ganha o aplauso de quem reconhece o que há de comum em todos os seres: o sopro da vida, a alma e o riso.

A emoção dentro de cada um de nós.