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Empowerment! Adélia Clavien

Atualizado: Set 2


Curadoria: Marisa Melo - 02/09/2020

A artista visual Adélia Clavien nos apresenta um novo olhar para a questão feminina. Retratos de alto impacto trazem até nós mulheres que têm se destacado nesse esforço milenar para proporcionar igualdade de direitos e oportunidades. Uma luta diária para que ninguém seja julgado por gênero, raça ou credo. Algumas dessas mulheres são famosas,

mas pouco se fala sobre seu ativismo. Outras representam toda uma legião de batalhadoras anônimas que constroem, a cada dia, um mundo mais igual e menos injusto. Adélia tem plena consciência do alcance global de sua mensagem, que tem levado para Nova York, Roma, Singapura, Lisboa, Genebra e outros centros internacionais. Suas obras combinam materiais como areia, acrílica, resina a fotos impressas na tela,

e aqui nos revelam a química que está presente no sucesso das mulheres retratadas. De Barbra Streisand a Ella Fitzger.





A exposição “Empowerment” tem como objetivo despertar a consciência de que todos, sem exceção, independente de gênero, somos parte desse esforço por direitos e oportunidades. O que move essa jornada é o amor. Então, sem cometer o erro de

combater violência com mais violência, Adélia nos lembra que é possível lutar sem deixar de lado a sensibilidade e a elegância. Mas as histórias que os retratos contam, deixam claro que não basta apenas desfilarmos um slogan numa camiseta. Ao homenagear mulheres que contribuíram para a causa, Adélia Clavien nos lança o desafio de contribuir com ações. concretas. É dessas ações que depende o mundo justo que queremos construir.



"Audrey Hepburn"

Para abrir uma coleção que fala de garra e do poder feminino, Adélia Clavien escolheu a imagem de Audrey Hepburn. A atriz, musa de Givenchy, fez das telas sua passarela, e se tornou um símbolo mundial de charme e elegância. O ponto de partida para o estrelato foi uma infância muito sofrida durante a guerra.

O começo difícil fez com que ela jamais esquecesse daqueles que precisam de ajuda. Audrey alternava a Quinta Avenida e a Champs-Élysées com viagens a Bangladesh e Sudão, em apoio à UNICEF e a projetos educacionais e de saúde, em auxílio a crianças e famílias refugiadas e anônimas.

Adélia destaca o olhar expressivo que capturava as câmeras e que longe dos holofotes traduziu ao longo de toda sua vida a compaixão e a bondade. Que fez com que ela abrisse mão do luxo e do conforto para realmente agir e construir um mundo melhor.




"Frida Kahlo"

Uma realidade muitas vezes sofrida. Além da poliomielite contraída aos 6 anos, sofreu um grave acidente aos 18. Foi no período de recuperação que iniciou sua carreira. As cores vibrantes expressaram dor e paixão, sem concessões à representação da beleza convencional. Conquistou respeito e reconhecimento internacionais. Suas sobrancelhas se tornaram tão famosas quanto os bigodes de Dalí.

Adélia retrata um exemplo de luta e liberdade. Frida enfrentou o preconceito com a mesma energia com que lidou com suas limitações físicas. Nas telas e na vida, rompeu com o convencional e se tornou uma inspiração para todos. O próprio retrato da coragem e da autenticidade.



"Silent Girl"

Na “Garota Silenciosa”, não são só as palavras que estão ausentes. O olhar também não se faz presente. Adélia Clavien nos conecta aos pensamentos dessa garota que optou pelo silêncio. Num momento em que há tanta discórdia, e que a palavra tem sido apenas mais instrumento de agressão, a garota escolhe o silêncio.

Um silêncio protetor. Contra o preconceito e o julgamento. Preservando as boas vibrações e a energia. Para lutar e resistir, sempre, mas sem violência. Sem espaço para a discussão vazia e sem sentido. Sem cumplicidade com a maledicência.

Se houver palavras a dizer, que sejam de paz.

Se os olhos se abrirem, que seja para um mundo novo, com mais alegria, mais compreensão, mais amor.




Romy Schneider

Entre as várias manifestações artísticas, o cinema ocupa, sem dúvida, um lugar muito especial. Um bom filme nos envolve e acreditamos que as pessoas em cena realmente vivem aquela realidade. Esquecemos que elas têm suas vidas e seus problemas. Adélia nos traz o retrato de Romy Schneider. A intérprete de “Sissi, a imperatriz”, teve de vencer conflitos em família e a contestação na Alemanha e na França até conseguir o reconhecimento que a levou a trabalhar com diretores como Luchino Visconti e Claude Chabrol.

Em sua vida “real”, Romy apoiou o movimento de liberação feminina na Europa. E contribuiu para a discussão de temas como a objetificação da mulher, o lesbianismo, e a violência sexual. Esses temas, na época, eram tratados como assuntos particulares, não chegavam à mídia. O argumento para combater essas pioneiras foi a acusação de que pregavam o ódio ao homem.

Numa controvérsia que segue atual, nem todos percebem que a força que promove essa mudança é motivada pelo amor e pela defesa de todas as mulheres que a nossa civilização patriarcal tenta reduzir ao silêncio e à submissão.



"A Desconhecida"

Entre tantas estrelas, tantas vidas cheias de conquistas, tanta fama, Adélia Clavien marca a presença da mulher que não ficou famosa. Não cantou, não dançou, não estrelou um filme. Seu nome não está no neon nem no noticiário.

Ela não doou milhões de dólares. Nem escreveu um best-seller. Não teria tempo, mesmo que quisesse. O trabalho em período integral, o tempo gasto no trânsito, o jantar, a lição dos filhos, a desatenção do marido. Ela acha que mais um dia se foi. Mais um dia perdido.

Mas não é assim. Essa é a heroína desconhecida.

Que a cada dia desempenha muitos papéis.

Mãe, trabalhadora, batalhadora, ela nutre, compartilha e acredita.

Acredita que há de chegar um dia em que ela será reconhecida por tudo que faz.

Em que não seja menosprezada, abandonada, desrespeitada.

Feminina, resistente, incansável, ela é maioria nesse time de mulheres que seguem lutando por um mundo mais justo, mais igual, mais feliz.




"Prazer Passageiro"

Há momentos em que a tarefa parece interminável. E os desafios se sucedem. As cobranças também.

Cobranças de uma sociedade que julga, condena e parece ter o dom de bloquear cada brecha, cada rota de fuga.

A imagem de Adélia Clavien nos lembra que 24 horas no dia não são suficientes para consertar todo o preconceito, para dizer todas as palavras de afeto, para todos os beijos e abraços que faltaram. Para atender os filhos, os pais, os conhecidos e desconhecidos.

Mesmo assim, o encontro acontece. E chega o amor. Um amor que se insinua em meio a tantas preocupações. A pressão externa tenta reduzir a chama transcendental a um prazer passageiro. Que volta de vez em quando, teimoso, para nos lembrar que estamos vivos.




Com “Barbra Streisand”, Adélia Clavien promove a integração de três formas de Arte: a Pintura, a Música e o Cinema. A imagem apresentada concilia cores e palavras e nos transmite firmeza e esperança. De uma cantora de fama internacional que teve enorme êxito também nos filmes e que exerceu seu ativismo político desde os anos 60.

Barbra Streisand sempre combateu ativamente todas as formas de discriminação de gênero. Talvez o momento mais representativo dessa luta seja o filme “Yentl”, onde a protagonista é uma jovem que precisa se disfarçar de homem para poder estudar. Nenhum estúdio acreditava que uma mulher pudesse dirigir e gerenciar a produção de um filme. Barbra, que desde criança jamais teve medo de lutar por seus direitos, acabou percebendo que ela própria vivia um preconceito semelhante ao de Yentl. No final, é claro, o filme aconteceu.

Quase quarenta anos depois, muito foi feito. E ainda há muito por fazer. Hoje ela se engaja em causas como a defesa de refugiados, o aquecimento global e a liberdade de imprensa. Mas a cada dia que passa, ela está menos só. Graças a um trabalho de conscientização que muito deve à Arte.

De Barbra Streisand a Adélia Clavien.




"Bons Sonhos"

A história da mulher que tem seus sonhos dourados que não necessariamente sugerem a riqueza material. Não, os sonhos são outros. Sonhos com um mundo em que não há lugar para dor e sofrimento.

Sem a marca das garras, sem o medo da violência, do tiro.

Os olhos revelam sonhos de liberdade. E enxergam um mundo talvez distante.

Para além do abuso. Da discriminação. Da objetificação. Do desprezo. Da indiferença.

Para muito além desse cerco fechado, desse arame farpado que a sociedade aceita e perpetua.




"Mary Pickford"

Para a Arte não existem limites. Ela pode nos levar a países longínquos e também ao passado distante. Com “Mary Pickford”, Adélia Clavien nos transporta para o tempo em que o cinema mudo estava começando. Pickford começou sua vida artística aos 6 anos, para ajudar sua mãe quando o pai, alcóolatra, faleceu. Com 14 anos foi para Nova York, sonhando com uma carreira na Broadway.

Quando surgiu um convite para atuar no cinema (mudo na época), ela resistiu. O cinema era visto como uma arte inferior ao teatro e foi a insistência da mãe que a convenceu, pelo sustento da família. Dez anos e muitos filmes depois, a “Queridinha da América” se tornou a primeira mulher a ganhar 1 milhão de dólares em Hollywood. Ao mesmo tempo, as mulheres votaram pela primeira vez nos Estados Unidos.

O que os filmes não contavam era a sagacidade e a energia da garota delicada. Mary Pickford estava sempre pronta a defender seus pontos de vista. A lembrança constante da pobreza da infância, fez com que ela sempre buscasse também defender e beneficiar outras pessoas. Uma vez mais, Adélia Clavien retrata um exemplo da capacidade feminina de romper barreiras e de saber conciliar sucesso e compaixão.



"Naomi Campbell"

O caminho de conquista do “Empowerment” feminino, é uma estrada longa e sinuosa. E mesmo com todos os avanços ainda há desigualdades gritantes. Adélia Clavien nos traz a imagem de Naomi Campbell. Uma das seis modelos de sua geração definidas como supermodels pela indústria da moda, ela ainda assim ganhava menos que suas colegas de pele branca e olhos azuis.

Com raízes africanas, chinesas e jamaicanas, ela sabia ser uma exceção no mundo da Moda e sempre sentiu o peso da discriminação. Protestou com energia contra os produtores de FashionWeeks que em sua maioria contratavam apenas modelos de pele branca. A mesma energia ela empregou para auxiliar projetos sociais na Índia, no Haiti e no Brasil.

As causas se entrelaçam e essa amiga de Nelson Mandela foi peça importante da campanha promovida em Londres quando se comemorou o centenário do voto feminino. Porque quem realmente busca a construção de um mundo mais justo entende que qualquer forma de desigualdade tem de ser igualmente combatida.




"Ella Fitzgerald", ao se consagrar como “Rainha do Jazz” mostrou quão longe é possível chegar mesmo quando todas as probabilidades são negativas. Nascida em 1917, ela viveu num período em que o mundo era mais racista e as mulheres eram mais discriminadas do que hoje. Isso tudo agravado por uma infância de muita pobreza. Como se não bastasse, à morte da mãe se seguiu o abuso pelo padrasto.

Fácil de entender por quê em suas entrevistas ela não falava sobre a infância e a adolescência. Ainda assim, a fã de Connee Boswell fez da música seu caminho e brilhou desde a primeira apresentação no lendário Apollo Theater. Sempre se reinventando, Ella indicou caminhos para o Jazz. A imagem que Adélia Clavien nos traz vem com um sorriso contido e um olhar de quem viveu toda a dor que torna inconfundíveis o jazz e o blues.

Adélia traz o elemento musical ao contexto de “Empowerment!” com alguém que venceu enormes barreiras raciais e sempre se preocupou em proporcionar oportunidades para os menos afortunados. Essa parceira de Louis Armstrong é mais um exemplo a seguir na construção desse “wonderful world”.



Saiba mais sobre Adélia Clavien

Instagram: adelia.clavien

https://www.uptimegallery.com/adelia-clavien

https://www.facebook.com/search/top?q=adelia%20clavien




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