• Marisa Melo

Entrevista com a artista Edema Ruh

Atualizado: Abr 22

O trabalho da UP Time Art Gallery é inspirar e fascinar através da Arte. Nossos artistas apresentam trabalhos que retratam nossas emoções, nossas causas, nossas vidas. O público sempre quer conhecer o artista por trás da obra. Quem é, como pensa? Que história de vida levou a esse trabalho?


Hoje conversamos com Edema Ruh.


1- Como e quando a arte surgiu em sua vida?


Essa é uma pergunta meio difícil de responder. Como muitas crianças, eu sempre gostei muito de desenhar e pintar para passar o tempo. Eu desenhava na pré-escola, na escola, nos intervalos entre as aulas... Eu sempre gostei muito de desenhar os personagens que eu via em desenhos animados e filmes, por exemplo. Eu me lembro de quando eu era ainda bem pequenininha e eu não sabia desenhar direito, então eu pedia para a minha mãe desenhar pra mim, só para que eu pudesse assistir a ela fazendo aquilo e observar como era feito – quais eram as etapas envolvidas no processo. E ela desenhava para mim. Eu lembro que eu pedia para ela desenhar as capas dos filmes em VHS que tinha lá em casa, filmes da Barbie, filmes da Disney. E enquanto ela fazia o traço e coloria, eu ficava olhando admirada, tentando aprender o que ela estava fazendo para depois tentar repetir sozinha. Mas arte não é só desenho e pintura, existem vários tipos de arte que podem ser expressos em várias formas. Desenhar e pintar sempre foi algo natural pra mim, era uma vontade que eu sempre tive, fosse pra fazer eu mesma, fosse pra eu assistir a alguém fazendo. Até hoje gosto de ver vídeos no YouTube que mostram o processo de lineart e de pintura. Se for pra dar uma resposta mais concreta, eu diria que conheci a arte propriamente dita quando eu tinha uns 7 anos. Minha tia (irmã da minha mãe) foi a São Paulo para assistir à montagem brasileira do musical “O Fantasma da Ópera”. Ela gostou muito da peça e me levou para assistir ao filme de 2004, com o Gerard Butler. E eu me apaixonei. Fiquei totalmente vidrada. Foi o meu primeiro musical (o que abriu porta para a paixão que eu tenho e nutro até hoje por teatro musical) e o meu primeiro contato com algo verdadeiramente artístico. Então acho que é isso. A arte surgiu muito cedo na minha vida, graças à minha mãe e à minha família, que sempre me estimularam e contribuíram para que esse meu amor crescesse e fosse abrindo novos caminhos. E até hoje eu me vejo conhecendo muitas artes novas e me interessando por elas.


2- De onde vêm suas inspirações?


Olha, é até engraçado me perguntar isso, porque eu me inspiro com literalmente qualquer coisa. Chega a ser meio ridículo. Uma vez, no meu trabalho com tradução para legendagem e dublagem, eu assisti a 5 minutos de uma série norueguesa para avaliar o arquivo de legendas, e a partir de um detalhezinho no roteiro, eu me inspirei para escrever uma história baseada naquilo. Tal história acabou ficando com mais de 1600 páginas. De 5 minutos, saiu um livro maior do que Guerra e Paz. Modéstia à parte, eu me considero uma pessoa muito imaginativa. Eu me perco em ideias e pensamentos o tempo o todo. Às vezes, quando estou entediada com alguma aula ou com algum fator do trabalho, eu escapo para a minha própria mente e começo a imaginar coisas, ideias, alternativas. Sou daquele tipo de pessoa que coloca o fone de ouvido, começa a ouvir uma música, e a partir daí imagina um clipe hollywoodiano inteirinho. Sempre que eu estiver parada encarando o nada com um olhar vago no rosto, pode apostar que eu estou imaginando alguma coisa diferente, ou lembrando de algo que me influenciou naquela semana. Então eu diria que as minhas inspirações vêm do mundo. O mundo inteiro tem o potencial pra virar arte, ao meu ver. Eu gosto muito de revisitar os clássicos, como no caso da minha pintura Pietá BR, que veio da Pietá de Michelangelo, e também da releitura que fiz de “A Liberdade Guiando o Povo”, do Delacroix. A minha inspiração é muito empírica, eu gosto muito de ver coisas, de ter contato com coisas, me sentir movida por coisas, e então ressignificar o meu sentimento de identificação com aquilo. Pra mim, é muito natural enxergar o potencial para a beleza no mundo. Só pelo fato de existir, há beleza, e se há beleza, há arte.


3- Quais são suas influências para o desenvolvimento de sua linguagem?

Eu gosto muito dos clássicos, mas também há alguns artistas contemporâneos que me inspiram bastante. Eu sou bem leiga no quesito arte, não sei nomes de técnicas, não sei nomes de estilos, não sei nem os nomes dos tipos diferentes de arte. Mas eu sempre gostei muito de Caravaggio, por exemplo. Gosto das sombras e dos contrastes que ele usa, e tento emular isso na minha arte também. Uma artista digital que eu acompanho há muitos anos, desde a época do Deviantart, é a Alice XZ. Ela hoje é ilustradora oficial da Marvel, mas a conheci na época em que ela ainda estava começando a ganhar seguidores. Acho as obras delas lindas, amo o jeito como ela usa iluminação. Não sei nem por onde começar a emular a técnica dela, então tento inventar a minha própria. Eu diria que esses dois são as minhas maiores influências no momento, mas eu sempre tento me adaptar e absorver coisas bonitas que eu vejo por aí.


Digital Art - Pietá BR



4- Você pinta e também faz arte digital? Um trabalho complementa o outro?


As pinturas que fiz sem intervenção digital foram poucas, admito. Como muitas crianças, eu gostava de pintar com guache e até hoje minha mãe guarda um quadrinho que eu fiz quando eu era novinha. Eu não sei se eu chamaria aquilo de arte, mas talvez um precursor disso (e eu já prometi pra mim mesma há um tempo que eu faria uma releitura daquela pintura digitalmente, só para ver como o meu estilo evoluiu desde então). Quanto à arte digital, eu venho fazendo desde 2017, que foi quando eu ganhei minha primeira mesa digitalizadora. Ela era usada, porque eu não trabalhava ainda e não tinha condições de comprar uma nova. O fio tinha mau-contato, então a mesa conectava e desconectada várias e várias vezes ao longo do processo de criação. Era irritante, e fazia todo o trabalho de pintar digitalmente levar o dobro do tempo. Eu ainda a tenho, para o caso de uma emergência, mas não a uso mais desde que ganhei uma Wacom novinha em 2019. Mas quanto à minha experiência com pintura, eu diria que ainda tenho pouca. Eu usava guache quando criança, experimentei com aquarela há alguns anos, mas nada muito sério. E desde 2017 faço pinturas digitais, mas tudo o que eu faço eu aprendi sozinha (eu sempre fui meio autodidata em relação à arte). Nunca fiz cursinho de desenho, de pintura, de nada. Não foi por falta de vontade. O máximo que fiz foi assistir a alguns tutoriais no YouTube e a alguns vídeos de processo de criação postados por alguns artistas digitais que eu seguia e admirava. Eu diria que a pintura digital e o uso de camadas envolvido nesse processo me ajudou quando tentei fazer pintura em aquarela, e a pintura em aquarela me fez buscar tipos diferentes de pincéis digitais com os quais eu poderia treinar e aperfeiçoar meu processo de pintura.

5- Como está sendo criar na pandemia?


Paradoxalmente relaxante e desafiador. Eu diria que meu processo criativo durante a pandemia teve duas fases, até agora. A pandemia certamente alterou muito a rotina e a vida de muitas pessoas. No meu caso, eu deixei de trabalhar presencialmente e fui obrigada a me adaptar à rotina de home office, que não me agrada muito justamente porque eu amo observar o mundo e as representações do mundo, seja numa galeria de arte ou seja num vagão do metrô a caminho do trabalho. Perder esse contato diário que eu tinha com o mundo e seus habitantes me afetou muito negativamente. O quadro de TAG (Transtorno de Ansiedade Generalizada) que eu já apresentava antes se agravou, o que acabou culminando num quadro de depressão. Isso foi bem no começo da pandemia. Eu morria de vontade de sentar e desenhar, mas não conseguia. Eu acreditava que nada que eu fizesse ficaria bom, e portanto não valeria a pena me dar ao trabalho de tentar só para me decepcionar no final. O simples pensamento de pegar na minha caneta digital já me deixava à beira de lágrimas. E foram meses assim. Eu sentia muito a necessidade de ser produtiva e fazer algo útil, fazer algo criativo, especialmente porque eu ganhei muitas horas no dia que, no cenário pré-pandemia, seriam utilizadas na ida e vinda da faculdade e do trabalho. Foram cerca de 4 horas a mais no meu dia. Houve também o período em que eu entrei de férias no trabalho, o que me deixava com mais horas ainda ao meu dispor. E eu não conseguia desenhar. Não conseguia fazer nada. E a inércia estava me enlouquecendo. Mesmo com a medicação que eu comecei a tomar por causa dos meus transtornos, eu sentia um bloqueio muito grande para a criatividade e para a arte. Fiquei parada por meses. Perder o contato com o calor humano, com os rostos desconhecidos do meu dia-a-dia que tanto me inspiravam, tanto me motivavam, foi realmente um baque difícil de superar. O que me ajudou nesse momento sombrio que tanto abalou minha produtividade foram os cinemas drive-in que surgiram no Rio de Janeiro. Por causa do fechamento dos cinemas, o Rio (assim como várias outras cidades no país) estrearam vários cinemas drive-in onde seria possível levar até mesmo seus pets. Eu fui em quase todos. Fui no da Lagoa, no da Cidade das Artes, no do Shopping Uptown, no da Marina da Glória... E a arte, aos poucos, começou a voltar para a minha vida. Até então, eu não conseguia nem mesmo sentar no sofá para assistir a uma série. A depressão me sugava, me consumia, me deixava sem vontade de fazer nada. Eu não tinha motivação. Mas sair para ir ao drive-in se tornou um evento. Eu pude me arrumar, botar uma roupa bonita, me maquiar, e sair de casa para consumir arte e entretenimento de maneira segura e à prova de Covid, já que ficava cada um dentro do seu carro. E conseguir voltar a ver filmes (algo que eu não estava conseguindo fazer em casa), o que foi muito bom para a minha saúde mental e para o meu processo criativo. Eu aos poucos voltei a me sentir inspirada, animada, e disposta a desenhar novamente. Claro que os remédios e a terapia também ajudaram nesse processo, mas os drive-ins foram a cereja no topo do bolo para que eu me reconectasse com o artístico que há dentro de mim. Então para resumir, eu diria que no começo, foi tudo muito difícil, mas nos últimos meses eu tenho me sentido mais inspirada do que nunca.


6- Fale sobre sua exposição em outubro/2021 no Carrousel du Louvre e qual a sensação de expor num dos lugares mais desejados artisticamente.


Eu não consigo nem começar a descrever o tamanho da honra que eu senti ao saber que minha arte – coisas que eu criei, que eu fiz eu mesma – estaria no Louvre. No Louvre! Eu posso dizer que, como uma pessoa cujo livro favorito é Os Miseráveis, eu amo a França, eu amo Paris, eu amo a arte, a história e a literatura francesa. Meu sonho sempre foi poder viajar pela Europa conhecendo os mais diversos tipos de museus e galerias por aí, entrando em contato com a arte e com o humano por trás dela. Eu tento pensar na Amanda pequenininha, que gostava tanto de tantas coisas que não sabia o que fazer da vida, que não sabia qual carreira seguir, que queria ser jornaleira só para poder ler as revistas em quadrinhos de graça. Eu tento pensar na Amanda adolescente, que sofreu tanta pressão para seguir uma carreira no Direito apesar de não se interessar por isso, que era ansiosa e que sempre achava que estava fazendo tudo errado e sendo julgada. Eu tento pensar na Amanda universitária, que não se sentia segura no caminho que trilhava, que pensou mil vezes em mudar de curso para tentar se encontrar. E eu tento pensar na Amanda do comecinho da pandemia, que se sentia tão incapaz, tão deprimida, tão inerte. E eu queria poder sentar com cada uma dessas Amandas, dar um abraço em cada uma delas, e logo em seguida revelar um cartaz gigantesco envolto por balões de gás coloridos e confete cheio de glitter, tocar uma corneta, e anunciar: “Garota, desencana! Sua arte vai estar no Louvre!!!”. Tenho certeza que, se eu tivesse a chance de dizer isso para mim mesma no passado, as coisas teriam sido mais fáceis. Ir para o Louvre, para mim, como artista, é a maior honra que eu poderia alcançar na minha carreira como pintora digital.


7- Quais os principais desafios que você enfrenta como artista?


Eu diria que o desafio que tive mais dificuldade em superar e que ainda me acomete até hoje é a insegurança. Ela vem em ondas. No começo da pandemia, ela era uma presença constante e dominadora, me consumindo por inteiro; agora, meses depois, ela é só um burburinho chato no fundo da minha cabeça. Tem dias em que ela fica mais forte, e dias em que eu consigo ignorá-la completamente. A pior parte é saber de onde ela vem, saber como ela age, e ainda assim não conseguir fazer nada para impedi-la. Eu lido com o transtorno de ansiedade há muitos anos, e recentemente venho me adaptando à depressão. Por causa disso, a insegurança e o medo de ser julgada sempre foram coisas muito presentes em todos os âmbitos da minha vida. Conseguir ter a força de vontade, a maturidade e a autoestima necessárias para conseguir superar a insegurança e não dar ouvidos a ela é um desafio muito grande, e algo que eu venho trabalhando na terapia há mais de um ano. É difícil, é trabalhoso, e definitivamente afeta o meu processo criativo e a forma como eu o uso para criar artisticamente. É uma guerra na qual todo dia se trava uma batalha diferente. Mas mesmo que eu perca algumas das batalhas em alguns dos dias, o importante é vencer a guerra no final. E cada batalha vencida – cada dia em que eu consigo me elevar apesar do meu medo e deixar a arte fluir de mim – é gratificante demais. Eu não tenho vergonha de admitir que eu amo receber elogios. Quem diz que não gosta deve estar mentindo. É bom demais se dedicar a uma tarefa, contemplar o resultado final, e ser elogiada por isso. Eu amo olhar minha própria arte, eu amo quando aquilo que eu idealizei na minha mente se torna concreto, palpável. E eu amo quando as pessoas também amam. Então eu me sinto insegura em muitos momentos, sim, mas eu tento o meu melhor para pensar no lado positivo do processo criativo e na felicidade que isso me traz.


Digital Art - iAlabanza!



Sobre a UP Time Art Gallery:

Galeria de arte itinerante que reúne artistas do Brasil e de países da Europa para disseminar o que há de melhor no cenário da arte contemporânea. Fundada por Marisa Melo, a galeria de arte alcança mais de 30 países ao redor do mundo, isso porque ela funciona em formato digital desde o seu nascimento, apresentando mundialmente exposições 3D e exposições regionais presenciais com um time de artistas distintos.


Sobre Marisa Melo:

Formada em Propaganda e Marketing, Moda e Fotografia. Especialista também em crítica de arte, Gestão de Negócios, Arte e Estética e Design Gráfico. Artista Visual, consultora de projetos Artísticos, produtora de mostras, curadora e redatora de textos curatoriais.


Nossos serviços:

Exposições virtuais, físicas nacionais e Internacionais, Feiras de Arte, Projetos, Catálogo do Artista, Consultoria para Artistas, Coaching, Construção de Portfólio, Posicionamento Digital, Branding, Marketing Digital, Criação de Conteúdo, Identidade Visual, Biografia, Textos Crítico , Assessoria de Imprensa, Entrevistas e Provocações.




The UP Time Art Gallery's job is to inspire and fascinate through art. Our artists present works that portray our emotions, our causes, our lives. The public always wants to know the artist behind the work. Who is it, how do you think? What life story led to this work?


Today we talked to Edema Ruh.


1- How and when did an art appear in your life?


That’s a hard question to answer. As many children, I’ve always liked to draw and paint as a pastime. I used to draw at preschool, at regular school, during class breaks… I’ve always liked to draw the characters I’d see in cartoons and movies, for example. I remember a time when I was still very young and I couldn’t draw properly, so I’d ask my mother to draw for me in order to watch her do it and observe how it was done – watch which steps were involved in that process. And she would draw for me. I remember I’d ask her to draw the front covers of the VCR movies I had at home, Barbie movies, Disney movies. And while she’d lineart and color the drawings, I’d watch in awe, trying to learn what she was doing so that I could try to do it on my own later. But art is not just drawing or painting, there are several types of art that can be expressed in many different forms. Drawing and painting are things that have always come naturally to me, they were something I have always urged for, whether it involved doing the art myself or watching someone do it. Up to this day, I like to watch YouTube videos about linearting and painting. To give a more concrete answer, I’d say I was 7 years old when I got in touch with proper art. My aunt (my mom’s sister) went to São Paulo to watch the Brazilian montage of “The Phantom of the Opera”. She really enjoyed the play and thus took me to watch the 2004 movie starring Gerard Butler. And I fell in love with it. I was absolutely dazed. It was my first musical (which opened the door for a passion for musicals I nourish to this day) and my first chance to get in touch with something really artistic. So I think that’s it. Art appeared in my life pretty early, thanks to my mother and my family, who have always supported me and contributed for my love for art to grow and explore new paths. And up to this day I find myself getting to meet a lot of new types of art and becoming interested in them.


2. Where do your inspirations come from?


It’s funny to ask me that, because I get inspired by literally anything. It’s even a bit ridiculous. There was this one time at my job with subtitling, I had to watch five minutes of a Norwegian TV show in order to attest the quality of the subtitles, and out of a little detail from the plot, I got inspired to write a story. Said story ended up longer than 1600 pages. From five minutes, I wrote a book longer than War and Peace. Modesty aside, I consider myself to be a very imaginative person. I constantly get lost in ideas and thoughts. Sometimes, when I’m bored with a class at uni or with something at my job, I delve into my own mind and start to imagine stuff, ideas, alternatives. I’m the type of person who puts their earphones on, starts listening to music, and from that, they imagine a whole Hollywood-level music video. Whenever I’m sitting still and staring at seemingly nothing, rest assured I’m imagining something different, or remembering something that influenced me on that week. So, I’d say my inspirations come from the world around me. The whole world has a potential to become art, in my opinion. I like to revisit the classics, like I did with my painting Pietá BR, which came from Michelangelo’s Pietá, and also the rereading I did of “Liberty Guiding the People”, by Delacroix. My inspiration is very empirical, I like to see things, to be in touch with things, to be moved by things, and then to reframe my feeling of identification with things. To me, seeing the potential for beauty in the world is something natural. Existence has beauty on its own, and if there is beauty, there is art.


3. What are your influences to develop your language?


I really like the classics, but there are also contemporary artists that inspire me a lot. I’m much of a layperson when it comes to art, I don’t know how to name techniques, I don’t know how to name styles, I don’t even know how to name different types of art. But I’ve always liked Caravaggio a lot, for example. I like the shadows and the contrasts that he uses, and I try to emulate that into my own art too. A digital artist I’ve been keeping up with for years, ever since her Deviantart era, is Alice XZ. Today, she’s an official illustrator for Marvel, but I got to know her work back in the days she was just starting to get followers. I find her work beautiful, I love the way she uses light. I wouldn’t even know where to begin to emulate her technique, so I try to come up with my own. I’d say these two are my biggest influences at the time, but I’m always eager to adapt and to absorb the beauty I see around in the world.


4. Do you paint and also make digital art? Does one work complement the other?


I’ll have to admit I have done few paintings without any digital intervention. As it’s the case of many children, I liked to paint with gouache and up to this day, my mom still keeps a little portrait I did back when I was a kid. I don’t know if I’d be able to call that art per say, but maybe a precursor of art (and I have already promised myself a while ago that I’d make a digital rereading of that portrait, just to see how much my style has changed since then). As for digital art, I’ve been doing it ever since 2017, which was when I got my first ever drawing table. It was a second-hand table, because I didn’t have a job yet and thus I couldn’t afford a brand-new one. The wire was old, so the table would connect and disconnect from my computer over and over again during the process of drawing. It was annoying, and it made the whole job of doing digital art take twice the amount of time. I still have it, for the case of an emergency, but I haven’t used it ever since I got a brand-new Wacom table back in 2019. As for my experience with painting, I’d say I still have little of it. I used gouache when I was a kid, and I experimented with watercolor a few years ago, but it wasn’t anything serious. And since 2017, I’ve been doing digital paintings, but everything I do I learned on my own (I’ve always been somewhat of a self-taught artist). I never had drawing lessons, painting lessons, or anything of that kind. It wasn’t for a lack of goodwill. The most I’ve done was to watch some tutorials on YouTube and some videos about creation processes that had been posted by some digital artists I followed and admired. I’d say that digital painting and the use of layers involved in this process helped me a lot when I experimented with watercolor, and watercolor painting made me seek for different digital brushes for me to try and perfect my painting process.


5. What is creating in the pandemic like?


Paradoxically relaxing and challenging. I’d say my creative process during the pandemic went through two phases, so far. The pandemic has certainly altered the routine and the lives of many people. In my case, I stopped working at my physical office and was forced to adapt to the routine of home office, which doesn’t exactly appease me because I love to observe the world and the representations of the world, whether it is in art gallery or in a subway wagon on my way to work. Losing that daily contact that I had with the world and the people who inhabit it affected me in a very negative way. My GAD (Generalized Anxiety Disorder), which I had before, got a lot worse, which resulted on depression. This happened pretty early in the pandemic. I’d feel the urge to sit down and draw, but I couldn’t do it for the life of me. I believed that nothing I ever did would be good enough, and thus it wouldn’t be worth it to try, if the only result would be disappointment. The simple thought of picking up my drawing pen was enough to send me to the verge of tears. And I spent months like this. I felt the need to be productive and do something useful, do something creative, especially because I gained a lot of hours in my day – hours which, in a pre-pandemic scenario, would be used to come and go from uni/work. I gained around 4 extra hours on my day. There was also a small period in which I was on vacation from my job, which gave me even more extra hours to work with. And I couldn’t draw. I couldn’t do anything. The inertia was driving me crazy. Despite the medication I started taking because of my disorder, I still suffered from a huge art block, a creativity block. I was stagnant for months. To lose touch with human warmth, to lose touch with the unknown faces that permeated my daily life and inspired me so much, was a hard blow to take. What helped me in this somber moment of my life that affected my productivity so much was the drive-in movie theaters that were installed in Rio de Janeiro. Since the movie theaters were closed because of the pandemic, Rio (as well as several other cities in Brazil) installed several drive-in movie theaters where you could even take your pets. I went to almost all of them. I went to the one at Lagoa, to the one at Cidade das Artes, to the one at Uptown shopping mall, to the one at Marina da Glória… And art, little by little, started to come back to my life. Before that, I couldn’t even sit on my couch and watch a TV show. Depression wore me out, it consumed me, it drove me into a state of not wanting to do anything. I had no motivation. But to attend a drive-in became a sort of event. I had a reason to dress up accordingly, to wear pretty clothes, to put some make-up on, and to leave the house and consume art and entertainment in a covid-free, secure way, since people stayed inside their cars at all times. To be able to watch movies again (something I had been unable to do at home) was something very positive for my mental health and my creative process. With small steps, I got back to feeling inspired, excited, and willing to draw again. Of course the medication I was taking and the therapy I was attending also helped in this process, but the drive-in movie theaters were the cherry on the top of my reconnection with my inner artistic side. Long story short, I’d say that, at the start, everything was very hard, but in the last months I’ve been feeling more inspired than ever.


6. Talk about your expo in October 2021 at Carrousel du Louvre and what is the feeling of exposing your art at one of the most artistically desired places on earth.


I can’t even begin to express the honor I felt when I learned that my art – stuff I created, that I crafted myself – was going to be in the Louvre. In the Louvre! As someone whose favorite book is Les Miserables, I can say I love France, I love Paris, I love French art, history and literature. My dream has always been to travel Europe and get to know all sorts of museums and galleries, to get in touch with art and the human side behind it. I try to think of little Amanda, who liked so many things with such an intensity that she couldn’t decide what career she wanted to follow, who wanted to own a comic book shop just so that she would get to read the comics for free. I try to think of teenage Amanda, who was so pressured into attending Law school even though she took no interest on it, who was anxious and who always thought she was doing everything all wrong and being judged for it. I try to think of freshwoman Amanda, who didn’t feel like she was trailing the right path, who thought about changing majors in order to find herself. And I try to think about early-pandemic Amanda, who felt so insecure, so depressed, so stagnant. I wish I could sit down with each one of these Amandas, hug them, and then reveal a huge sign with colorful balloons and glitter confetti, blow horns, and announce: “Girl, snap out of it! Your art is going to be in the Louvre!!!”. I’m sure that, had I gotten the chance to tell my old self this in the past, things would have been easier. Going to the Louvre, to me, as an artist, is the greatest honor I could achieve in my career as a digital artist.


7. What are the greatest challenges you face as an artist?


I would say that the challenge I have more trouble with and which still plagues me is insecurity. It comes in waves. At the beginning of the pandemic, it was an ever-lasting, dominating presence, consuming me whole. Now, months later, it’s just an annoying little white noise at the back of my head. There are days when insecurity gets stronger, and there are days when I manage to ignore it completely. The worst part is knowing where it comes from, knowing how it works, and still becoming unable to do anything to stop it. I’ve been dealing with my anxiety disorder for many years, and recently I’ve been adapting to depression. Because of this, insecurity and the fear of being judged have always been present aspects in all levels of my life. To be able to muster the will, the maturity, and the self-esteem in order to overcome insecurity and ignore it is a huge challenge, and something I’ve been working on therapy for over a year now. It’s difficult, it’s troublesome, and it definitely affects my creative process and the way I use it to create art. It’s a war in which there’s a new battle every day. But even if I lose some of the battles in some of the days, the important thing is to win the war at the end of it. And every won battle – every day in which I manage to elevate myself despite my fear and allow art to flow out of me – is so gratifying. I’m not ashamed to admit I love being praised. People who claim they don’t like it are lying. It’s really good to dedicate myself to a task, and then contemplate the final result, and get praise for it. I love looking at my own art, I love it when something I idealized in my mind becomes concrete, touchable. And I love it when people love it. I feel so insecure in so many moments, yes, but I also try my best to think about the bright side of the creative process and about the happiness it causes me.



About UP Time Art Gallery: Itinerant art gallery that brings together artists from Brazil and European countries to disseminate the best in the contemporary art scene. Founded by Marisa Melo, the art gallery reaches more than 30 countries around the world, because it works in digital format since its birth, presenting worldwide 3D exhibitions and face-to-face regional exhibitions with a team of distinguished artists.

About Marisa Melo: Graduated in Advertising and Marketing, Fashion and Photography. Specialist also in art criticism, Business Management, Art and Aesthetics and Graphic Design. Visual artist, consultant for artistic projects, producer of exhibitions, curator and writer of curatorial texts.

Our services: Virtual, national and international physical exhibitions, Art Fairs, Projects, Artist Catalog, Consulting for Artists, Coaching, Portfolio Building, Digital Positioning, Branding, Digital Marketing, Content Creation, Visual Identity, Biography, Critical Texts, Advisory Press, Interviews and Provocations.


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