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Entrevista com a Artista Plástica Isabel Nunes

Atualizado: Mar 28





"No meio de tantos valores, é urgente sonhar.

As pinturas de Isabel Nunes evocam contemplação. 

Nos trazem uma frescura poética entre paisagens espirituais e história. 

Convidam o espectador a uma meditação e a um diálogo entre o "eu" da artista e o "eu" do observador."



1- O que a levou à Arte?

Quando uma criança de 11 anos gasta a sua mesada em livros de arte e ao mesmo tempo passa os seus tempos livres a desenhar e a pintar, só posso dizer que é levado por necessidade interior.

2- Como foram seus primeiros passos na Arte?

Começando pelo 1.º passo foi no liceu, onde a professora de Educação Visual soube transmitir conhecimentos e a importância da Arte, assim como me estimulou a mim e a todos aqueles que considerava potenciais “artistas”.

Os passos seguintes estão intimamente ligados ao interesse, à vontade e à determinação de fazer, fazer ao ritmo das minhas emoções.

3- Quem admira no panorama artístico?

Admiro todos os artistas que me identifico com a sua linguagem artística ou que me abrem novos horizontes. Do grupo de pintores que contribuíram para a minha formação e para encontrar a minha própria linguagem contam-se para além dos grandes mestres, os impressionistas principalmente Matisse, Chagall, Dali, Kandinsky.

4- Fale sobre o seu processo criativo. Como lhe chega a inspiração?

É um processo muito interiorizado e como tal com noites mal dormidas despertadas pela inquietação e pela busca.

Os temas que mais me inspiram são de ordem histórico-cultural. Para entender a atualidade e o mundo que me cerca preciso de o aprofundar conhecendo muitas das características e das suas raízes, por isso tanto me seduz a História que me possibilita lidar com os temas de uma forma mais direta e mais profunda, tal como conhecer um amigo com quem nos relacionamos.

É após consultas e leituras sucessivas que os conteúdos ganham alma e entro em diálogo com eles através da pintura.

5- Quando começa uma obra já tem a imagem final em mente?

Jamais, pois isso iria condicionar e limitar o meu trabalho.

Habitualmente tenho um objetivo quanto à obra que vou realizar, mas os estudos que faço são sempre sobre composição ou seja lanço as ideias fundamentais e depois o processo criativo corresponde a uma luta em direto e ao vivo entre a pintora e a tela.

6- A sua obra tem uma mensagem social?

Sem dúvida, a este respeito escrevi para o catálogo da exposição que realizei em 2016 na Fundação D.Luis I em Cascais:

“ Num momento tão controverso que o mundo atravessa, somos confrontados a tempo inteiro com notícias que amedrontam as crianças, que aterrorizam os adultos e, quem sabe, fortalecem os loucos. (...)

Nesta imensa pluralidade de valores, é mais do que nunca urgente sonhar, pois tal como diz o poeta (António Gedeão), "(...) Eles não sabem, nem sonham,/ que o sonho comanda a vida,./ que sempre que um homem sonha/ o mundo pula e avança/ como bola colorida/ entre as mãos de uma criança."

Talvez por este motivo a minha pintura tenha uma vertente contemplativa e ao fim de todos estes anos continue a deambular pelas minhas paisagens materiais e espirituais, quantas vezes com o suporte da história. E nesta espécie de evasão convido o espectador a entrar no meu e no seu mundo de memórias, em jeito de meditação, recriando as suas estórias e reforçando as suas energias, e quem sabe se através dele, também - o mundo pula e avança.”

7- Como desenvolveu seu estilo? Como define o seu estilo?

Através de muito trabalho, de muito estudo e de muita insatisfação querendo sempre mais, muitas vezes sem saber explicar porquê pois todas estas motivações ainda habitam a alma e se encontram distantes do racional.

De acordo com o meu percurso artístico, inicialmente foi dominado um figurativo abstratizante com incursões abstratas reveladoras de uma tendência abstrata que se adivinhava. Atualmente domina a abstração havendo contudo agora incursões ao figurativo abstratizante.

8- Se fosse uma cor, qual seria?

A cor é de tal maneira importante na minha carreira e tão motivadora para mim que tenho dificuldade em eleger uma, pois todas elas são preferidas. Como tal seria o arco-íris.

9- Qual a maior alegria que a Arte lhe proporcionou?

A maior alegria que me proporcionou e me proporciona é a reação que as pessoas têm perante a minha pintura. O impacto causado pela obra e a reação transmitida pelo público é muito emocionante, e acima de tudo é sinal que a obra cumpre o seu papel toca a alma e comunica a sua mensagem.

10- Como vê o mercado da Arte em Portugal?

O mercado da Arte em Portugal, tal como no resto do mundo sofreu a evolução inerente aos meios de comunicação e às tecnologias ou seja as galerias e os clientes de há uns anos cederam aos meios digitais e aos conselheiros de Arte.

Hoje mais do que nunca a curadoria é fundamental quer para os artistas quer para o público.

11- Acha que toda a Arte é politicamente engajada?

Tendências e correntes artísticas sofreram sempre influências sócio políticas. Mas também sempre houve artistas que com um “passo à frente “ da sua época se manifestaram de forma distinta através da sua própria linguagem, muitas vezes destoando e sobretudo inovando.

12- A Arte pode ser “comercial”?

Pode, mas não deve.

Acima de tudo o artista deve ser igual a si mesmo e traduzir o seu estado de alma através da sua linguagem artística. E sendo coerente consigo mesmo e com o seu estilo, então sim pode entrar em projetos, propostas e até encomendas portanto “comercial” mas não desvirtuado.

13- Qual o quadro que gostaria de ter pintado?

De acordo com a minha personalidade, conforme a minha carreira traduz, eu diria que me projeto mais no quadro que gostarei de pintar.

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