• Marisa Melo

Entrevista com médica e artista plástica Renata Vilhena


O trabalho da UP Time Art Gallery é inspirar e fascinar através da Arte. Nossos artistas apresentam trabalhos que retratam nossas emoções, nossas causas, nossas vidas. O público sempre quer conhecer o artista por trás da obra. Quem é, como pensa? Que história de vida levou a esse trabalho?

Hoje conosco, Renata Vilhena!


Natural de Ribeirão Preto, Renata é médica de formação. A arte sempre presente pela fotografia e pelas esculturas.

"Vivendo momentos históricos ditatoriais no Brasil, a falência da saúde e o resultado desastroso das administrações políticas, observadas através do universo de cada paciente que recebia, percebi que a arte era veículo de expressão daquilo que não podia ser dito".




1 - Conte como você começou no universo da arte?

Aproximadamente, aos 6 anos, meu pai dependurou sua máquina fotográfica, ainda analógica, em meu pescoço e disse:

- Vai tirar fotos! Eu sei que gosta!

Seus quadros estavam em todas as paredes da casa. Lembro de ter perguntado como se tirava fotos. Ele prontamente respondeu que a técnica era apenas um detalhe. O importante era o olho de quem tirava as fotos. Assim como a pintura.

O barro (gosto de chamar argila de barro!) veio comigo. Uma paixão de expressar sentimentos.

Eu e a arte caminhamos juntas pela vida desde então. Porque o importante não era a técnica, era o olhar...


2 - Como é o seu processo criativo?

Ainda não sei quem é a dona da situação. Eu ou a argila. Ou a lente das máquinas fotográficas... Quando as toco, tomam vida. O processo criativo chega pelo mundo, por qualquer portal. O mundo me traz um grande impacto. Assim acontece o processo criativo. Pelo impacto, pela repercussão desse movimento em mim. A arte é a expressão dos sentimentos. É luta, indignação, amor, tristeza, caminhos de pessoas ou de meu caminho interno.

Então ele começaria por uma percepção, depois um movimento de repercussão interno e depois de expressão. A arte começa antes da formação do objeto cerâmico.

“Há homens que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis.”

Bertolt Brecht

O processo criativo é diário, não necessariamente de luta. Mas que seja imprescindível em toda a sua expressão. Que toque o mundo, que toque uma pessoa, mas que com seu toque aveludado ou áspero, transforme-as.


3 - Quais são suas influências?

Inicialmente Van Gogh, Monet. Caminhando para Rodin, Camille Claudel, Dali. Posteriormente para Munch, Portinari, Picasso e Leninha Latalisa.




Ana, argila branca chamote a 10%, Queima em alta 18x15x20 cm


4 - Você acha que toda arte deve ser engajada?

Sim. Sem entrar jamais em critério de julgamento com obras de qualquer artista, mantendo o respeito pela expressão do outro.

Acredito na arte provocativa, interativa, que evoca a reflexão do expectador. Como em qualquer história onde temos personagens planos ou rolantes, como Capitu e Bentinho em Machado de Assis, teremos artistas que evoluem ou estendem sua arte como ramos de árvore.

Assim me identifico. Com construção e desconstrução de pensamentos que se refletem nas obras. Sou personagem rolante.


5 - Quais dificuldades você encontra como artista?

Minha principal dificuldade foi como construir o objeto artístico de forma que ele interaja com o maior número de pessoas. Uma tentativa constante de volta às raízes e ao hereditário. Que falasse a todos.




Argila terracota 10% chamote, Queima em alta, Finalização com engobe negro e esmalte fosco - 55x18x22 cm


6 - O contato com a arte mudou a sua forma de ver a vida?

Poderia dizer que não só mudou. Mas que me salvou.

O cotidiano, por vezes nos engole. Enquadra e engessa. A arte me trouxe de volta. De volta a meu eu. Com todo o meu bem e mal. Mergulho na autenticidade


7 - Qual mensagem está por trás de suas obras?

Está a simplicidade, o humano, a realidade social e as emoções de todos nós. Seres imperfeitos caminhando ora com clareza ora completamente cegos na complexidade do viver. Expressos na cerâmica sem tintas, na imperfeição e desproporção do corpo. As faces de dor, pés descalços, grandes, desnudos para caminhar de forma imperfeita, desproporcional, como a alma do homem.

Não traz somente o humano, mas onde está inserido, traduzindo pelo seu corpo e expressão a realidade social que vive. Mostra as caminhadas de liberdade que alguns atingem e a prisão que outros escolhem.



Palhaço, Argila Ocre queimada em alta. Chamote a 10%, Acabamento em tela acrílica e paper clay. Obra interativa, acompanhada da frase “ Tire a máscara”, que convida o expectador a retirar a máscara. Da obra ou a própria? 38x18x15 cm



8 - O que chama a sua atenção no mundo?

A formação como médica trouxe a facilidade de conhecer diferentes realidades. Da fortuna até a pobreza imperativa. Desde o luxo desnecessário até pessoas que vivem no lixo.

A ambivalência, a dualidade..

Choro e riso

Mas o que mais me impacta nesse vasto mundo é a indiferença. Essa, não escolhe classe social.



Sobre a UP Time Art Gallery:


Galeria de arte itinerante que reúne artistas do Brasil e de países da Europa para disseminar o que há de melhor no cenário da arte contemporânea. Fundada por Marisa Melo, a galeria de arte alcança mais de 30 países ao redor do mundo, isso porque ela funciona em formato digital desde o seu nascimento, apresentando mundialmente exposições 3D e exposições regionais presenciais com um time de artistas distintos.

Sobre Marisa Melo:


Formada em Propaganda e Marketing, Moda e Fotografia. Especialista também em crítica de arte, Gestão de Negócios, Arte e Estética e Design Gráfico. Artista Visual, certificação em Liderança pela PUC, consultora de projetos Artísticos, produtora de mostras, curadora e redatora de textos curatoriais.

Nossos serviços:


Exposições virtuais, físicas nacionais e Internacionais, Feiras de Arte, Projetos, Catálogo do Artista, Consultoria para Artistas, Coaching, Construção de Portfólio, Posicionamento Digital, Branding, Marketing Digital, Criação de Conteúdo, Identidade Visual, Biografia, Textos Crítico , Assessoria de Imprensa, Entrevistas e Provocações.





The UP Time Art Gallery's job is to inspire and fascinate through art. Our artists present works that portray our emotions, our causes, our lives. The public always wants to know the artist behind the work. Who is it, how do you think? What life story led to this work.


Today with us, Renata Vilhena!


Born in Ribeirão Preto, Renata is a trained doctor. Art has always been present through photography and sculptures. "Experiencing dictatorial historical moments in Brazil, the failure of health and the disastrous result of political administrations, observed through the universe of each patient I received, I realized that art was a vehicle for the expression of what could not be said".



Florescendo, escultura convida ao caminho interno. O florescimento individual. Reflexiva, suave e serena. 24x26x16 cm


1- Tell me how you got started in the art world? At approximately 6 years old, my father hung his camera, still analog, around my neck and said: - Go take pictures! I know you like it! His paintings were on every wall in the house. I remember asking how to take pictures. He promptly replied that the technique was just a detail. The important thing was the eye of the person taking the pictures. As well as painting. The clay (I like to call clay clay!) came with me. A passion to express feelings. Art and I have walked together through life ever since. Because the important thing was not the technique, it was the look...


2 - How is your creative process? I still don't know who owns the situation. Me or clay. Or the lens of cameras... When I touch them, they come to life. The creative process arrives around the world, through any portal. The world has a big impact on me. This is how the creative process happens. For the impact, for the repercussion of this movement on me. Art is the expression of feelings. It's struggle, indignation, love, sadness, people's paths or my internal path. Then it would start with a perception, then a movement of internal repercussion, and then expression. Art begins before the formation of the ceramic object. “There are men who fight for a day and are good, there are others who fight for a year and are better, there are those who fight for many years and are very good. But there are those who fight all their lives and these are essential.” Bertolt Brecht The creative process is daily, not necessarily a struggle. But it is essential in all its expression. May it touch the world, touch a person, but with its velvety or rough touch, transform them.


3- What are your influences? Initially Van Gogh, Monet. Walking to Rodin, Camille Claudel, Dali. Later to Munch, Portinari, Picasso and Leninha Latalisa.


4- Do you think all art should be engaged? Yes. Without ever entering into judgment criteria with works by any artist, maintaining respect for the expression of the other. I believe in provocative, interactive art that evokes the spectator's reflection. As in any story where we have flat or rolling characters, like Capitu and Bentinho in Machado de Assis, we will have artists who evolve or extend their art like tree branches. That's how I identify. With construction and deconstruction of thoughts that are reflected in the works. I'm a rolling character.


5- What difficulties do you face as an artist? My main difficulty was how to build the artistic object so that it interacts with the greatest number of people. A constant attempt to get back to the roots and the hereditary. To speak to everyone.


6- Has your contact with art changed your way of seeing life? I could say that not only has changed. But that saved me. Daily life sometimes engulfs us. Frame and plaster. Art brought me back. Back to my self. With all my good and bad. Dive into authenticity.


7- What message is behind your works? It is the simplicity, the human, the social reality and the emotions of all of us. Imperfect beings walking sometimes with clarity and sometimes completely blind in the complexity of living. Expressed in unpainted ceramics, in the imperfection and disproportion of the body. Faces of pain, bare feet, large, bare to walk imperfectly, disproportionately, like the soul of man. It does not only bring the human, but where it is inserted, translating through its body and expression the social reality that it lives. It shows the freedom walks that some reach and the prison that others choose.


8- What catches your eye in the world? Training as a doctor brought the ease of knowing different realities. From fortune to imperative poverty. From unnecessary luxury to people living in garbage. Ambivalence, duality... cry and laugh But what strikes me most in this vast world is indifference. This one does not choose social class.


About UP Time Art Gallery: Itinerant art gallery that brings together artists from Brazil and European countries to disseminate the best in the contemporary art scene. Founded by Marisa Melo, the art gallery reaches more than 30 countries around the world, because it works in digital format since its birth, presenting worldwide 3D exhibitions and face-to-face regional exhibitions with a team of distinguished artists. About Marisa Melo: Graduated in Advertising and Marketing, Fashion and Photography. Specialist also in art criticism, Business Management, Art and Aesthetics and Graphic Design. Visual artist, consultant for artistic projects, producer of exhibitions, curator and writer of curatorial texts. Our services: Virtual, national and international physical exhibitions, Art Fairs, Projects, Artist Catalog, Consulting for Artists, Coaching, Portfolio Building, Digital Positioning, Branding, Digital Marketing, Content Creation, Visual Identity, Biography, Critical Texts, Advisory Press, Interviews and Provocations.








13 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo