• Marisa Melo

Entrevista com o artista visual Alex Persson

Atualizado: 21 de Out de 2021


O trabalho da UP Time Art Gallery é inspirar e fascinar através da Arte. Nossos artistas apresentam trabalhos que retratam nossas emoções, nossas causas, nossas vidas. O público sempre quer conhecer o artista por trás da obra. Quem é, como pensa? Que história de vida levou a esse trabalho?


Hoje conversamos com Alex Persson!



1- Como você entrou no mundo da arte? AP: Sempre gostei muito de desenhar, sou filho de professora de Educação Artística e Desenho Geométrico, formada pela Academia Nacional de Belas Artes. Minha paixão pelas ondas começou cedo e aguçou a vontade de desenhar e pintar. E aos 13 anos, meus desenhos estamparam as camisetas do principal circuito de bodyboarding, do Brasil. Nesta época o esporte vivia um boom, com grande visibilidade e atletas conhecidos internacionalmente, e ver eles usando uma camiseta com meu desenho, foi inspirador.

Dos desenhos em nanquim e canetinha, passei para aquarelas e pastel, reproduzindo fotos de grandes nomes do esporte do Brasil, Havaí e Portugal.

2- Como você desenvolveu o seu estilo? AP: O esporte está no centro de tudo. Ele é o ponto de conexão entre todas as fases de minha vida, e pela proximidade com grandes nomes do esporte, fiz alguns trabalhos como painéis, estampas e logotipos, e isso me direcionou para a faculdade de Design Gráfico (Desenho Industrial, UniverCidade, RJ). A partir deste momento, passo a explorar mais os traços vetoriais, mas sempre produzindo algo novo ou sob encomenda. Vou deixando as aquarelas e pastel seco, mas em busca de novas técnicas. No mundo digital e gráfico, vou para diagramação e arte. O esporte, ainda como inspiração, permitiu que eu fluísse de um estilo para o outro. Passei por agências, editoras e tive uma revista junto com mais dois amigos, mas desenvolvendo alguns projetos gráficos e de estamparia, foi onde encontrei minha linguagem. Meu estilo.

Volto para pintura, agora em formatos maiores, em telas e painéis.



Almofada Noronha

3- Como é o seu processo criativo e quais suas inspirações e referências? AP: Faço rabisco, anotações, separo fotos e tento absorver o máximo de informação sobre o tema do trabalho que estou criando. Tudo pode ser inspirador, depende do olhar. A figura feminina nasce quase que naturalmente pelas curvas e silhuetas, uma brincadeira de levar o observador a mais de uma direção. São pernas? É o Pão de Açúcar? É uma onda? Ela traz uma sensualidade, leveza e reflexão. Depende da interpretação de cada um. O que eu acho muito legal. Por último vem o motivo disso tudo, as ondas. Minha maior inspiração. Sutil, implicitamente, ela vai estar lá, sempre, lembrando minha origem e de que tudo passa. Se pensar no movimento delas, é passado, presente e futuro. Algumas vezes, maior, outras menor... temos períodos de calmaria e mar agitado, e assim é a nossa vida. "Num indo e vindo infinito".



4- Qual mensagem você quer passar com sua arte? AP: Mais que figuras embaralhadas e sobrepostas, é um convite a um novo olhar. Que devemos ser mais abertos e flexíveis, para tudo na vida. Aceitar que o outro pode ver a mesma coisa que você, mas ao mesmo tempo sob outra ótica. Perspectivas completamente diferentes, não há o "dono da verdade". O coletivo, a união, é o que nos fortalece e nos enriquece.


5- Qual o principal desafio que você encontrou no início de sua carreira?

AP: Desafios surgem a todos os momentos da carreira e da vida, e não é exclusividade de nós artistas. Cada um mais difícil que o outro, o que é um bom sinal. E a cada novo e maior desafio, entender que a recompensa será proporcional. Isso também não é uma regra, pois o meu maior desafio, pode ser algo simples para outro artista, e vice e versa. Meu maior desafio é o mesmo quando aos 13 anos fui apresentar meus desenhos para o presidente da ABBERJ, é a ansiedade. Essa carga invisível, que dá um frio na barriga principalmente de quem trabalha se expondo, seja através da arte, música, poesia, interpretação... e isso, sempre vai existir. E isso é maravilhoso!


6- Você acha que toda arte deve ser engajada socialmente?

AP: Sim. E acredito todas as áreas, e não somente das artes (artes plásticas, dança, música, teatro, etc). É poder dar as ferramentas para que a gente possa pensar em um futuro melhor, para todos. Através de pequenas atitudes.



Visões da Cidade - Acrílica sobre tela 100 x 100 (em andamento)

7- Você conseguiu produzir na pandemia? Acha que o fato de estarmos reclusos aflorou ainda mais a criatividade?

AP: O ano passado foi bem difícil para todos. Ainda assim, consegui produzir alguns trabalhos sob encomenda. E hoje, fazendo parte desta linda exposição, vejo que o mais importante não foi quantos trabalhos eu vendi, e sim, todos os meus movimentos (trabalhos, leitura, rabiscos, etc) que me guiaram para estar aqui hoje.



Artes sob encomenda na pandemia, 2020. Ipanema, acrílica sobre tela, 180 X 90 cm.


Tâmegas, acrílica sobre tela, 150 x 90 cm

8- Qual mensagem você deixa para um aspirante? AP: A vida, sutilmente, nos mostra caminhos a todo momento. Escute essa voz e faça com amor. Seja sincero, é a sua história.



Saiba mais sobre o artista:

www.alexpersson.art.br

Instagram: @alexpersson.arts




Sobre a UP Time Art Gallery:

Galeria de arte itinerante que reúne artistas do Brasil e de países da Europa para disseminar o que há de melhor no cenário da arte contemporânea. Fundada por Marisa Melo, a galeria de arte alcança mais de 30 países ao redor do mundo, isso porque ela funciona em formato digital desde o seu nascimento, apresentando mundialmente exposições 3D e exposições regionais presenciais com um time de artistas distintos.



Sobre Marisa Melo:

Formada em Propaganda e Marketing, Moda e Fotografia. Especialista também em crítica de arte, Gestão de Negócios, Arte e Estética e Design Gráfico. Artista Visual, certificação em Liderança pela PUC, consultora de projetos Artísticos, produtora de mostras, curadora e redatora de textos curatoriais.


Nossos serviços:

Exposições virtuais, físicas nacionais e Internacionais, Feiras de Arte, Projetos, Catálogo do Artista, Consultoria para Artistas, Coaching, Construção de Portfólio, Posicionamento Digital, Branding, Marketing Digital, Criação de Conteúdo, Identidade Visual, Biografia, Textos Crítico , Assessoria de Imprensa, Entrevistas e Provocações.




The UP Time Art Gallery's job is to inspire and fascinate through art. Our artists present works that portray our emotions, our causes, our lives. The public always wants to know the artist behind the work. Who is it, how do you think? What life story led to this work?


Today we talked to Alex Persson!


1- How did you get into the art world?

AP: I've always loved drawing, I'm the son of a teacher of Art Education and Geometric Drawing, graduated from the National Academy of Fine Arts. My passion for waves started early and whetted my desire to draw and paint. And at age 13, my drawings were on the t-shirts of the main bodyboarding circuit in Brazil. At that time, the sport was booming, with great visibility and internationally known athletes, and seeing them wearing a shirt with my design was inspiring. From ink and pen drawings, I moved to watercolors and pastel, reproducing photos of great names in the sport in Brazil, Hawaii and Portugal.


2- How did you develop your style?

AP: Sport is at the center of everything. It is the connection point between all phases of my life, and due to the proximity to big names in the sport, I did some work such as panels, prints and logos, and this led me to the Graphic Design College (Industrial Design, UniverCidade, RJ ). From this moment on, I start to explore vector traces more, but always producing something new or made to order. I'm leaving watercolors and dry pastels, but in search of new techniques. In the digital and graphic world, I go into diagramming and art. The sport, still as an inspiration, allowed me to flow from one style to another. I went through agencies, publishers and had a magazine with two other friends, but developing some graphic and print projects, that's where I found my language. My style. I return to painting, now in larger formats, on canvases and panels.


3- How is your creative process and what are your inspirations and references?

AP: I scribble, take notes, separate photos and try to absorb as much information as possible about the topic of the work I'm creating. Everything can be inspiring, it depends on the look. The female figure is born almost naturally by curves and silhouettes, a game of taking the viewer in more than one direction. Are they legs? Is it the Sugar Loaf? Is it a wave? It brings a sensuality, lightness and reflection. It depends on the interpretation of each one. Which I think is really cool. Finally comes the reason for all of this, the waves. My biggest inspiration. Subtly, implicitly, she will be there, always, remembering my origin and that everything passes away. If you think about their movement, it's past, present and future. Sometimes bigger, sometimes smaller... we have periods of calm and rough seas, and that's our life. "In an infinite coming and going".


4- What message do you want to convey with your art?

AP: More than scrambled and overlapping figures, it's an invitation to a new look. That we must be more open and flexible, for everything in life. Accept that the other can see the same thing as you, but at the same time in a different light. Completely different perspectives, there is no "owner of the truth". The collective, the union, is what strengthens and enriches us.


5- What is the main challenge you faced at the beginning of your career?

AP: Challenges arise at every moment of your career and life, and it is not exclusive to us artists. Each one harder than the other, which is a good sign. And with each new and bigger challenge, understand that the reward will be proportional. This is not a rule either, as my biggest challenge can be something simple for another artist, and vice versa. My biggest challenge is the same when I was 13 years old when I went to present my drawings to the president of ABBERJ, it's anxiety. This invisible charge, which gives butterflies in the stomach, especially for those who work exposing themselves, whether through art, music, poetry, interpretation... and this will always exist. And that's wonderful!


6- Do you think all art should be socially engaged?

AP: Yes. And I believe in all areas, not just the arts (visual arts, dance, music, theater, etc). It's being able to give the tools so that we can think about a better future, for everyone. Through small actions.


7- Did you manage to produce in the pandemic? Do you think the fact that we are secluded has brought creativity further?

AP: Last year was very difficult for everyone. Still, I managed to produce some work to order. And today, being part of this beautiful exhibition, I see that the most important thing was not how many works I sold, but all my movements (works, reading, doodles, etc.) that guided me to be here today.