Passaporte para a Imortalidade - Cândido Portinari

A Arte é o espelho da nossa alma. Dorian Gray e Fausto retratam sonhos: beleza, prazer, sabedoria... Oscar Wilde e Goethe souberam captar nosso íntimo, retratar suas épocas e entraram para a História. Esse é o poder da folha, da partitura e da tela em branco. Elas não esperam apenas mais um texto, mais uma canção, mais um quadro. Diante delas, um inglês escreveu “Ser ou não ser”. Um alemão combinou quatro notas mágicas em sua 5ª. Sinfonia. E um italiano pintou um sorriso enigmático. Passaram-se os séculos. E Shakespeare, Beethoven e da Vinci seguem vivos e reverenciados. Nenhum deles planejou isso. Mas ao traduzirem suas almas em suas obras, conquistaram um passaporte para a imortalidade. Quando essa entrega acontece, o observador é conquistado. E aplaude um estilo, que buscará avidamente no próximo quadro. Até criar uma intimidade que lhe permita em segundos relacionar a obra ao autor.


Vamos conversar sobre alguns artistas e seus estilos inconfundíveis.

Hoje conosco, Cândido Portinari.




Cândido Portinari, foi um dos maiores artistas brasileiros do século XX, nasceu numa fazenda de café, na cidade Brodowski, no estado de São Paulo. Mostrou seu talento artístico desde cedo, começou a pintar aos nove anos de idade. Contribuiu para o reconhecimento internacional da cultura brasileira ao retratar com grande emoção importantes causas sociais.


Ao lado de escritores, poetas, jornalistas e artistas, Portinari participou ativamente da vida cultural e política do país e da transformação estética que o Brasil passava. O contato próximo com as mazelas, reforça o aspecto social da obra de Portinari e o conduz à militância política. Filia-se ao Partido Comunista. Concorre a deputado federal, depois senador, mas não é eleito em nenhuma das duas candidaturas e, posteriormente, com a intensificação da repressão política, passou um tempo exilado no Uruguai.


O tema central da obra de Candido Portinari é a questão social e o Portinari Lírico, repleto de memórias da infância: as brincadeiras, danças, canções dos meninos de Brodowski, circo, camponeses... pessoas em um ambiente unido e pacífico.


Durante sua carreira como artista, ganhou muitos prêmios em salões de arte e se estabeleceu na França em 1930, após ganhar o European Travel Award, aproveitando a oportunidade para visitar vários museus e estudar muito.


Portinari foi profundamente influenciado por movimentos artísticos europeus, como o cubismo e o surrealismo. Admirador de Picasso, depois de conhecer "Guernica", suas obras passaram a mostrar os problemas do Brasil. Seu interesse desde o início era criar uma pintura baseada no gênero brasileiro, com ações conscientes na vida cultural, política e social.


Focado em sua temática, seus trabalhos mais destacados incluem: Mestiço; Favela; Cafeicultores; Sapateiro de Brodowski; Meninos e Tops; Lavanderia; Um Grupo de Meninas Brincando; São Francisco; Primeira Missa no Brasil; Tiradentes; entre outros.


Candido Portinari morreu de envenenamento por tinta em 6 de fevereiro de 1962. Na última década de sua existência, criou a obra “Guerra e Paz” para a Sede das Nações Unidas, sendo a maior obra da vida do pintor.




Obra "Guerra e Paz" em construção pelo pintor


Esta obra é uma grande mensagem ética e humanista do artista, que aborda os grandes problemas que o mundo enfrenta hoje: violência, não-cidadania e injustiça social.


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