• Marisa Melo

"Permanência" de Roberto Pitella


Há artistas que dominam a técnica. E impressionam nossos olhos com a precisão de suas linhas, formas e cores. Há aqueles que vão além e se destacam pela criatividade, com novos modos de representar sentimentos. Mas algo realmente especial acontece quando à técnica e à criatividade do artista acrescenta a ousadia. E rompe com o convencional.


Roberto Pitella artista visual, professor, curador, Roberto não se submete a limites estreitos e ortodoxos. Isto fica claro em sua obra “Permanência”. Nela estão conceitos derivados da formação acadêmica e do profundo conhecimento no campo da Psicologia. Em técnica mista, o trabalho já escapa ao limitado conceito bidimensional. A flor se projeta e traz um relevo ao mesmo tempo em que se mistura às tintas. Numa obra repleta de dualidades, ela traz em si a ruptura e a conciliação.


A sensualidade marcante está no predomínio de um vermelho de tango, batom e paixão. Num contraste com o amarelo que, além da energia, traz os duelos entre o bem e o mal. Uma combinação de American Beauty e Belle de Jour, a imagem transborda uma riqueza de possibilidades, como num filme de Buñuel, como em toda história de amor.


A flor se oferece, lânguida, sinuosa, capturando nosso olhar que a percorre numa reminiscência explícita, numa ansiedade premeditada pelo artista. Roberto Pitella nos conduz a uma reflexão sobre vida e morte. A flor está morta. Mas suas pétalas e seu amarelo se transmutam na tinta. Numa sugestão de que o fim possa não ser definitivo. Que há algo além da vida, que permanece muito depois da última batida do coração.


Quando tantos retratam a impermanência, Roberto Pitella nos desafia e nos traz a Permanência. Através do processo erótico de conquista, ele nos confronta com a relatividade do belo. A morte que rouba a vida não rouba a beleza. Que segue viva, quente e sedutora na memória de um beijo, de uma entrega, de uma noite.

Permanência que perturba e desmascara desejos e lembranças.

Da vida que passou.

Do amor que não morreu.



Permanence - Roberto Pitella



There are artists who master the technique. They impress our eyes with the precision of their lines, shapes and colors. There are those who go further and stand out for their creativity, with new ways of representing feelings. But something special happens when the artist adds boldness to technique and creativity. Breaking with the conventional, with the expected. Surprising, enchanting, taking our breath away.


That’s Roberto Pitella. Visual artist, teacher, curator, Roberto does not submit to narrow and orthodox limits. This is clear in his work “Permanence”. It contains concepts derived from academic background and deep knowledge in the field of Psychology. In mixed technique, the work escapes the limited two-dimensional concept. The flower protrudes and brings relief while mixing with the paint. In a work full of dualities, it brings with it rupture and conciliation.


The marked sensuality is in the predominance of a red of tango, lipstick and passion. In contrast to yellow, which, in addition to energy, brings duels between good and evil, love and betrayal, dedication and jealousy. A combination of American Beauty and Belle de Jour, the image overflows with a wealth of possibilities, as in a Buñuel film, as in any love story.


The flower offers itself, languid, sinuous, capturing our gaze that runs through it in an explicit reminiscence, in an anxiety premeditated by the artist. Roberto Pitella leads us to a reflection on life and death. The flower is dead. But its petals and yellow are transmuted into ink. In a suggestion that the end may not be definitive. That there is something beyond life, that remains long after the last heartbeat.


When so many artists portray impermanence, Roberto Pitella challenges us and brings us Permanence. Through the erotic process of conquest, he confronts us with the relativity of beauty. Death that steals life does not steal beauty. That remains alive, hot and seductive in the memory of a kiss, of a night.

Permanence that disturbs and unmasks desires and memories.

From the life that passed.

Of the love that didn't die.



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