• Marisa Melo

SAMPA - Alguma coisa acontece em meu coração!

Atualizado: 11 de Abr de 2021


Iago Dorte Souza

Curadora: Marisa Melo


Iago é um artista visual cuja obra ao mesmo tempo desafia e encanta. Com a exposição “Sampa: alguma coisa acontece no meu coração”, ele nos convida a um olhar renovado da cidade de São Paulo, sem viés e sem preconceito. Para o turista, para quem é de fora, a sugestão de um roteiro artisticamente inspirado. Para quem mora na cidade, o desafio de reconhecer que há muito de belo a descobrir além da “poesia concreta de suas esquinas”.



A cidade cinza, se veste então com cores vibrantes. Um estímulo visual que traz contrastes e texturas de um modo ordenado e consistente. Uma referência a essa mistura de raças e origens, numa comunhão entre uma disciplina nipônica e o jeitinho tão brasileiro.

O roteiro de IagoDS revela a São Paulo que ignoramos. Que se expressa na arquitetura audaciosa de edifícios como o Tomie Ohtake e o SESC. Onde o MASP prova que há espaço para a Arte. O Monumento às Bandeiras desperta o questionamento recente às dívidas do passado e o posicionamento político fica claro na Mão do Memorial da América Latina. Uma cidade inesperada.

Arrojada e consciente. Assim como as pessoas que têm o privilégio de morar nela.





"Auditório Ibirapuera"

São Paulo, centro econômico do Brasil, tem em sua área metropolitana mais de 20 milhões de habitantes. No meio dessa massa urbana fica uma de suas maiores áreas verdes. Um parque que, serve de refúgio terapêutico ao stress urbano. E dentro dele, outro refúgio, que IagoDS destaca aqui: o Auditório Ibirapuera. Obra de Niemeyer, esse templo da música já recebeu de Tom Jobim a Caetano Veloso. Gente de todas as partes do mundo constrói São Paulo e faz da cidade a síntese da cultura e da energia do próprio Brasil.






"Edificio Tomie Ohtake"

O Japão é uma referência no trabalho de IagoDS. Aqui a lembrança de Tomie Ohtake, artista japonesa naturalizada brasileira e o Instituto que leva seu nome e já expôs trabalhos de Miró, Dalí e Yayoi Kusama. Na compreensão de que talento não tem nacionalidade. Uma amplidão de horizontes que identifica esse edifício com a vocação cosmopolita desta Babel que acolhe todos os idiomas e todos os estilos.







"Mão" memorial da América Latina

O monumento apresentado por Iago faz referência ao sangue derramado na América Latina nas lutas pela liberdade. Uma luta secular contra o Colonialismo e mais recentemente contra ditaduras impostas por uma Guerra Fria que em nada beneficiou esta região tão sofrida e tão explorada.












"Bairro da Liberdade"

Com o Bairro da Liberdade, IagoDS reúne dois temas marcantes nesta jornada: Japão e Liberdade. A cidade de São Paulo abriga a maior colônia japonesa do mundo fora do Japão. E o centro desse reduto é o bairro da Liberdade. Que celebra a liberdade para empreender, a liberdade de culto e expressão. Que atrai gente até do outro lado do planeta.








"Monumento as Bandeiras"

O Monumento às Bandeiras é pano de fundo para fotos familiares desde muito antes das selfies existirem. Ele homenageia as expedições de conquista de territórios que levaram à expansão geográfica do país. Hoje é mais um monumento questionado na revisão histórica que condena os atos do passado que envolveram episódios de violência racial. No caso, contra escravos, africanos e indígenas. Na esperança de que, um dia,

todas as raças sejam respeitadas.







"SESC"

Outro prédio emblemático com a assinatura de Lina Bo Bardi, o SESC é um mix de clube, cinema, teatro, um raro exemplo de espaço de entretenimento para uma população que trabalha muito mas tem poucas opções de lazer na cidade. A arquitetura arrojada que IagoDS retrata, eleva a condição do ponto de diversão que ganha uma dimensão cultural.









"Ponte Estaiada"

Nesta obra, o azul se faz presente. No rio que se transforma em simples complemento de uma imagem em que o foco é uma ponte. Na cidade que se destaca pelos prédios inovadores, para o lazer e para a cultura, existe um monumento que também faz as vezes de ponte. E a arquitetura que celebra arte e heróis também promove a união. De bairros e, metaforicamente, de pessoas, sonhos e destinos.








"OCA"

São Paulo tem um pavilhão de exposições assinado por Niemeyer. De linhas futuristas, ele lembra uma espaçonave. Mas o nome popular do prédio é “oca”, porque seu formato lembra o da casa indígena, oca, em tupi-guarani, a língua indígena. Aqui se encontram passado e futuro, tecnologia e raízes. Uma síntese do que a cidade foi e do que, um dia, será.