Roberto Pitella

Brasil

Roberto Pitella - Arte Expandida

 

Trabalhar com Arte é compreender e refletir sentimentos. É traduzir em palavras, imagens, sons e formas, o que vai pela alma humana. Numa proposta que será mais Universal quanto maior for o mergulho do artista, nas profundezas de seu próprio ser. Há artistas que se manifestam de um modo intuitivo. Outros porém, trazem em si um olhar analítico, que aprofundam em estudos sobre o que vai na mente de quem observa e se valem da arte para nos retratar.

Essa visão holística está presente no trabalho de Roberto Pitella. Além do trabalho artístico intenso, como artista visual, professor e curador, ele traz consigo a formação acadêmica em Psicologia. E nos oferece imagens de uma profundidade, de uma densidade, a precisão na captura do sentimento e o desafio ao observador que se identifica em suas obras, são um traço marcante de um artista que utiliza a própria arte para oferecer caminhos, nos processos de refletir, pesquisar, discutir e criar.

Impossível não mergulhar em obras como “Memória e Desejo”. A desenvoltura no contraste entre o claro e o escuro, o movimento, a passagem do tempo, tudo impressiona, pelo modo como somos retratados e nos vemos analisados com tamanha precisão. Ali estão presentes os medos, as lembranças do passado ainda não vivido e do futuro que se repete. “Cartas do exílio” nos levam a ler nas entrelinhas as mensagens que mandamos para nós mesmos, quando estamos longe, muito longe de quem pensamos ser.

Este admirador de Walt Whitman usa a fotografia para transformar palavras, crônicas, poesias em imagens que ele monta como num texto. Imagens que contam emoções. O domínio da Arte e a visão abrangente levam naturalmente à curadoria. Porque há na comunicação visual que Pitella estabelece, um senso de orientação e, mais ainda, de revelação, quando ele, em suas palavras, rasga nossas camadas, expõe o mais humano em nós, indica caminhos e sugere possibilidades, auxiliando-nos no processo de percepção, renovando nossa visão de nós mesmos, onde o componente alucinatório pode estar presente e terá de ser compreendido e interpretado pelo observador.

Roberto Pitella amplia horizontes criativos, imagéticos, psicológicos. Apaixonado por folhas secas, ele tem o dom de expandir a imagem, a vida e a morte. E, assim, nos apresenta uma arte nova. Uma arte a mostrar que podemos ir muito além dos limites que nós mesmos nos impomos.