• Marisa Melo

Entrevista com a artista Ana Rocha



O trabalho da UP Time Art Gallery é inspirar e fascinar através da Arte. Nossos artistas apresentam trabalhos que retratam nossas emoções, nossas causas, nossas vidas. O público sempre quer conhecer o artista por trás da obra. Quem é, como pensa? Que história de vida levou a esse trabalho?

Hoje conversamos com Ana Rocha.

Ana é uma artista visual que encontrou na Filosofia e na Arte, esferas que lhe mostraram o sentido da própria vida.

Nesta entrevista, Ana Rocha nos fala sobre estilo, influências, desafios e nos dá sua visão sobre o papel do artista.



Como você entrou para o mundo da Arte?

Eu sempre tive vontade de pintar. Desde bem nova. E o meu lado racional questionava: “Mas vai pintar o quê?”, e eu acabava cedendo ao racionalismo, e deixava a ideia de pintar de lado... Até que um dia, durante uma viagem, acordei sabendo que precisava colocar isso em prática definitivamente. Voltei pra São Paulo, e no dia seguinte estava em uma loja de artigos para arte comprando os materiais, intuitivamente... Eu não fazia ideia de nada, do que comprar, de que tela e que tintas usar, de como manusear os materiais...nada! Fui perguntando, experimentando, inventando... e, de repente, me achei!

Senti como se, pela primeira vez na vida, eu me encaixasse em algo. Eu me senti, finalmente, pertencendo a um lugar, que é de todos, e ao mesmo tempo é só meu.


Antes de iniciar a carreira como artista visual, você se formou em Gestão de Recursos humanos. O que a levou às Artes Visuais?

A minha formação é em Gestão de Recursos Humanos e em breve será em Filosofia também. Risos...

Eu nunca me importei com títulos. Sempre quis trabalhar com algo que me fizesse feliz. Sem pensar em formação, ou dinheiro. Sou de Brasília, e vim pra São Paulo muito nova, sozinha, para ser comissária de bordo. Foi uma ótima experiência, que me abriu a cabeça para outras possibilidades... mas eu queria mais do que lidar com muitas pessoas, viajar o tempo todo e ficar em hotéis bacanas pelo mundo. Eu queria me conectar profundamente com algo. E para que isso acontecesse, eu senti que precisava me conhecer a fundo. Mas meu processo de autoconhecimento só começou de verdade quando tomei consciência de que era uma estranha para mim mesma. Esse foi o ponto de partida, entender que eu não sabia nada (ou quase nada) de mim. Comecei do zero. Livros, cursos, palestras, meditação (muita meditação!), terapia... isso me levou à pintura e, posteriormente, à Filosofia.

Foi só quando eu consegui essa conexão entre a minha arte e a Filosofia, que a vida passou, de fato, a fazer sentido pra mim. Somos uma tríade (Eu-Arte-Filosofia) e para que exista um propósito, precisamos caminhar juntas. Enquanto a Filosofia me engole pra dentro de mim, num mergulho profundo e magnético; a Arte me puxa pra fora e me dá fôlego para novos mergulhos. É um ciclo que se perpetua. É puxado, é dolorido muitas vezes... e é maravilhoso!

Como desenvolveu o seu estilo?

Minha mãe era professora universitária de Desenho Geométrico e Geometria Descritiva. Então durante a infância e adolescência, eu tive muito contato com o geométrico através dela. Eu lembro dos trabalhos dos alunos que ela levava pra casa. Ficava encantada com aquilo. Na escola, eu era a melhor da classe nas aulas de Geometria. Não porque ela me dava aula. Ela não dava, e quando tentava me explicar, era de uma forma tão técnica, que eu não entendia (Eu era uma criança, ela, uma professora universitária, extremamente técnica, nada artista). Mas porque eu conseguia visualizar os objetos muito facilmente. Essa convivência com a profissão da minha mãe, me fez enxergar o mundo em formas, em linhas. Isso ficou gravado em mim! E em algum momento de lucidez, ficou óbvio que esse era o caminho que eu deveria começar explorando na arte. Porque faz parte da minha essência. Meu pensamento é geométrico!

Quais Artistas influenciam a sua Arte?

Sem dúvida, artistas como Kandinsky, Miró, Ligia Clark, Tomie Ohtake, Beatriz Milhazes, Picasso, Mondrian, entre outros tantos, fazem parte do meu rol de artistas favoritos, mas meu coração dispara mesmo é com Samson Flexor, um artista moldavo, radicado no Brasil, que viveu entre 1907 e 1971. Ele me foi apresentado pelo único professor de pintura experimental que eu tive até hoje... foram poucas aulas, mas que me deixaram referências marcantes. O abstracionismo geométrico, o traço, o movimento, as cores, a técnica de Flexor me fascinam e me inspiram.

Você acha que o Artista tem um papel importante na sociedade?

O artista tem o poder de criar uma realidade diferente da que estamos acostumados e até mesmo condenados a ver e a lidar no dia-a-dia. O artista transporta o observador a mundos jamais imaginados e experienciados. Arte é ar fresco que precisa ser respirado. E o artista é o responsável por fazer esse intermédio. Ele é o condutor disso tudo... as pessoas respiram se quiserem, claro. Isso é opcional. Risos...

Que desafios você encontra em ser Artista?

Por trás de um trabalho artístico existe todo um preparo, todo um investimento de tempo, referências, conhecimento e, obviamente, financeiro. Não apenas do material utilizado como também de transporte, diversos materiais de divulgação e produção. E além disso tudo, o artista precisa estar a par do que está acontecendo no mercado da arte, conhecer pessoas, estar em contato com o público e outros artistas, seja pessoalmente ou pelas redes sociais, enfim, gestar e gerenciar todo um negócio, que precisa ter a sua identidade. O artista, por mais que tenha pessoas que o auxiliem, precisa ser de tudo um pouco. No meu caso, que também tenho outra profissão e estudo, conciliar todas essas esferas demandam muito do meu tempo e energia.

Qual mensagem você deixaria para um aspirante?

Nunca é tarde para se tornar quem você sempre quis ser.


Saiba mais:

Instagram: @ana.rocha.art

https://www.uptimegallery.com/anarocha

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