• Marisa Melo

Entrevista com a artista Iolanda Delpupo

Atualizado: 20 de Jul de 2021

O trabalho da UP Time Art Gallery é inspirar e fascinar através da Arte. Nossos artistas apresentam trabalhos que retratam nossas emoções, nossas causas, nossas vidas. O público sempre quer conhecer o artista por trás da obra. Quem é, como pensa? Que história de vida levou a esse trabalho?


Hoje conversamos com Iolanda Delpupo



Como foi a sua iniciação na arte?


Eu não lembro da minha vida sem arte, quando meu irmão nasceu eu já tinha seis anos (não tenho lembranças anteriores a essa data) minha mãe achou por bem introduzir na minha rotina uma atividade extra para que eu não sentisse tanto os impactos dessa transformação, afinal ate então eu era filha única, dentre as possibilidades ela escolheu a Dança que me acompanhou a vida inteira tornou-se o meu principal objetivo de estudo culminando em duas graduações em dança licenciatura e bacharelado. Além disso sempre tive muitas vivencias artísticas em família, por parte de pai todos são boêmios e sempre estávamos em saraus, serenatas, pela cultura em si e toda a minha família por parte de mãe é muito prendada nas manualidades, minha vó em especial com quem sempre aprendi muito sobre artesanato, (costura, bordado, escultura com argila), tudo de maneira muito simples no estilo DIY. Eu tenho, graças a essa maneira simples de manter a arte viva no nosso cotidiano, dificuldade de definir como foi a minha iniciação na arte… no entanto acredito que essa centelha se fez viva quando ainda na infância eu passava os fins de semana com minha avó moldando o barro que se formava no açude que passava perto do alambique de cachaça do meu avô… Curiosamente já modelava mulheres gravidas e bebês a referência que era diferente, eu queria fazer um presépio.

Antes da minha puberdade eu não sabia que eu possuía habilidades para artes visuais…

Então passei a minha adolescência entre esses dois “hobbies” e a pintura que fazia de forma amadora pintando pedaços de madeira que eu achava, quadros , paredes, eu pintava um pouco de tudo… Quando eu fui pra fazer a graduação em dança eu comecei a concentrar essas minhas habilidades manuais para realização de cenografia e figurino, o que impulsionou a minha pesquisa acerca da comunicação não verbal através de signos e simbologia, tamanho foi o meu encantamento que definir essa temática como fio condutor para minha monografia. Uma pesquisa intensa e de cunho prática que durou um ano e meio e que permeia o meu trabalho até hoje à medida que passei a usar dos signos na criação dos minhas obras artísticas.

Com tempo e todos os compromissos acabei parando de desenhar tive uma “ressaca” criativa muito longa, fiquei cerca de seis anos desligada das artes visuais. Neste meio tempo morei um ano nos Estados Unidos da América onde, entre outras coisas, me encantei com a fotografia. Eu produzia ensaios estilo New Born e da futura mamãe… Uma estética que muito me interessava próprio pela simbologia em si e acredito também que o fato de ter conhecido as artes no mesmo período que minha mãe estava gestando seja um fator determinante na construção da minha estética.

Retornando ao Brasil, comecei a trabalhar dando aulas de dança, de arte e história da arte e acabei desvinculando da fotografia apesar de ser uma pesquisa que ainda pretendo retomar, aos poucos voltei a produzir com menos intensidade do que faço agora uma vez que não tinha tanto tempo quando morava no Brasil, e com todas as aulas e programações de aulas que tinha que fazer. Quando eu vim morar na Itália o acesso ao material aqui é facilitado se comparado ao Brasil, então eu comecei uma produção intensa principalmente quando veio a pandemia. Eu sempre comento que todo esse isolamento me obrigou a vivenciar sentimentos que estavam adormecidos, e falo da minha espera particular mas também da minha compreensão da sociedade na qual estamos inseridas e que definitivamente ainda tem muito que aprender sobre o feminino, isso gerou em mim uma necessidade de falar… que foi se intensificando e passou a ser algo que eu queria dedicar não só como “hobby” mas principalmente como um trabalho, visto que o meu trabalho presencial é part time então decidi que iria conciliar a minha produção artística e construir a minha empresa. Atualmente além do “Atelier Iolanda Delpupo” estou trabalho no lançamento da “Arte Afora” uma empresa de produção de posters, tenho a pretensão de que funcione apenas on-line, inicialmente com a entrega apenas para o Brasil… A Arte Afora estará no ar em agosto, eu acho simbólico termos o signo solar em comum.


Como desenvolveu seu estilo?


Encontrar o estilo característico provavelmente seja a procura mais difícil que um artista tem que encarar, eu realmente acredito que é impossível você criar uma obra artística e não transferir parte da sua “bagagem” emocional no processo, a sua vivencia/cultura, mesmo que em um nível superficial estará sempre presente. Claro que falo isso baseado na minha experiência pessoal, mesmo nos meus primeiros processos criativos quem convivia comigo conseguia identificar um “quê de Iolanda” na obra criada, apesar dessa frase ter sido recorrente em minha vivencia artística eu não concordava, aceitava os elogios, mas no fundo pensava que era tudo vazio, comum, o famoso “qualquer um poderia ter criado essa obra”.

Hoje eu entendo que o processo de criação envolve o meu conhecimento, e tudo aquilo que eu vivi e em que acredito são fatores que realmente comungam com os materiais escolhidos, quanto mais eu produzo mais evidente essa comunhão se torna. Encontrar uma temática que me mova, que faça os meus olhos brilharem e as ideias dançarem na minha mente foi realmente um evento decisivo na consolidação do meu estilo. Além dessa “limitação” criativa imposta pela escolha de abordar as questões exclusivamente relacionadas ao que me move ainda uso uma técnica que chamo de Narciso, inspirada naquela famosa frase da musica SAMPA do Caetano Veloso: “ É que Narciso acha feio o que não é espelho” e funciona assim, eu quando produzo algo que não me reconheço eu reservo para uma releitura futura, as vezes acontece… eu me envolvo com a temática e depois penso que a produção apesar de aparentemente “pronta” esta imatura. Já a escolha da temática aconteceu de maneira intuitiva, todas as questões do universo feminino sempre estiveram presentes em minha vida, e minha ligação com minha mãe foi, sem sobra de duvidas, um lugar seguro para fomentar o argumento desde a infância, tenho muita sorte de ter tido o acesso as informações necessárias e educação sexual em casa, e acabei vivenciando por meio de observação os danos que a privação desse conhecimento pode causar na vida de uma mulher, e apesar desse privilegio ainda vivo em uma sociedade machista e inevitavelmente, quando em interação social percebo os danos dessa cultura “torta”, que ficou mais evidente quando vim morar aqui na Itália, que assim como o Brasil é um país machista e que me deu exemplos distintos de como esse machismo pode se manifestar, que vão além da cantada no caminho, que aqui é muito raro, mas passam pelo absurdo de recusarem alugar um apartamento para uma mãe solo, com a justificativa “mas se você não é casada, quem vai pagar o aluguel?”, Entre vários pequenos exemplos que não veem ao caso, porem me estimularam a reafirmar minha escolha e eu acredito que fazer com que uma mulher se conheça bem é o primeiro passo para transformar a sociedade em que vivemos, nós somos protagonistas na nossa sociedade, basta ver que nossa longevidade é muito maior, que em uma família quando a matriarca falece, essa em geral se desfaz, quando quem se ausenta é o pai, a família permanece unida, é impossível conversar com um brasileiro que não conheça pessoalmente alguém que viveu um abandono parental, isso quando não é esse brasileiro que viveu… Somos nós mulheres que conduzimos essa sociedade, cuidamos de tudo e de todos em jornadas absurdas, passamos por cima de todo tipo de vivencia negativa “fazendo de conta” que não aconteceu… continuamos a caminhar e como não sabemos aonde queremos chegar, qualquer caminho nos serve, por isso é tão importante que uma mulher entenda o seu VALOR. Não se confunda, Não é culpa nossa que a sociedade está tão doente, mas a cura também passa pelas nossas mãos. Eu acredito que podemos transformar essa realidade por todas que virão.


"Rastros de Deus" - Iolanda Delpupo



Como é ser artista brasileira na Itália? Quais as vantagens e quais as dificuldades você enfrenta?


Estou vivendo um recomeço profissional, eu não posso dizer que troquei de carreira artística pois sei que sempre estarei dançando, mas nesse momento estou focada exclusivamente nas artes visuais e sinto como se fosse realmente um inicio de carreira, me encontro muito confiante e “protegida” aqui na Itália. A principal vantagem na minha opinião de morar aqui na Itália com relação a minha carreira artística diz respeito à liberdade financeira para fazer essa escolha, eu ainda mantenho dois trabalhos um artístico e outro não, sou minha própria mecenas, infelizmente no Brasil não podia contar com esse privilégio de dedicar metade do meu tempo ao empreendedorismo artístico, e por lá sempre tive trabalhos relacionados a arte, mas nunca consegui ter o meu atelier. É a primeira vez que consigo administrar/conciliar tempo, gestão de energia física e emocional e investimento financeiro. Entendo que estou numa situação privilegiada que me impulsiona nessa direção. Não é verdade que uma pessoa que muito deseja consiga alcançar um objetivo, que consiga simplesmente pela vontade.. produzir. Sempre fui artista porem no Brasil não mantinha um ateliê isso mudou quando vim morar na Itália comecei a vivenciar uma nova realidade, aqui consigo me manter com um único emprego que requer metade do tempo que tenho disponível, no Brasil eu trabalhava para 4 empresas simultaneamente para manter a uma qualidade de vida muito símile a minha atual… A única dificuldade que encontro por enquanto é a saudade mesmo.

Eu estou no momento em que preciso desenvolver as atividades em paralelo, e esse foi o meu privilégio de estar na Itália. No Brasil eu não tinha condições financeiras e emocionais de fazer essa escolha…. A insegurança no quesito administrativo mesmo, como farei para pagar as contas no final do mês era o meu maior empecilho… por muitas vezes eu pensei que não era realmente O MEU SONHO, que viver a arte era um passatempo, muitas vezes em razão pela daquele pensamento “se você quer mesmo uma coisa você faz acontecer”… E estando aqui na Itália eu vi a diferença! Espero que fique claro que sei que existem realidades muito diferentes, sei que a minha vivência No Brasil já era um existência impar, eu tenho plena consciência dos privilégios que eu tinha no Brasil reconheço que infelizmente a gigantesca maioria da população brasileira não tem os privilégios que eu tinha, e com isso só entendo que a humanidade tem perdido muito com a desigualdade de oportunidades. Me entristece o pensamento sobre quantos artistas brilhantes estão trabalhando em outros setores, ou ainda pior, não consegue nenhum trabalho. Eu precisava daqueles quatro trabalhos para manter uma qualidade mínima de vida, de maneira que eu não conseguia impor essa minha vontade de empreender com Arte, às minhas necessidades básicas, e aqui como já comentei preciso de um único emprego. A ideia da Meritocracia e extremamente perigosa a medida que subjuga pessoas sem privilégios a uma existência desvinculada de sua essência. Não depende só do individuo, a estrutura social é agente ativo e transformador de oportunidades, vivenciei na pele, mesmo no alto dos meus privilégios, consigo entender que o debate sobre igualdade e oportunidades é importante e urgente.


O que a motivou morar na Itália?


Eu sou descendente de Italianos, artista visual, de uma família católica e o meu ultimo trabalho em minha área de formação consistia justamente em ensinar danças folclóricas de matrizes europeias em especial a Dança Italiana com o grupo Sempre Avanti, quero dizer com essas informações que a Itália sempre esteve presente em minha vida. Eu criei o meu Instagram para divulgação de minhas artes a há cerca de 2 anos considerando que estou me dedicando à com frequência a há menos de um ano eu acho curioso que essa seja uma duvida recorrente no meu inbox... acredito que o fato da Italia ser considerada o berço da Arte conduza a dedução lógica de que a arte seja o motor dessa decisão, mas não é a verdade. Me recordo com gratidão todos os fatores que motivaram minha vinda justamente pelos benefícios alcançados no que diz respeito à minha arte, mas a verdade é que meu esposo é ítalo-brasileiro, e já vivia aqui na Itália há um ano quando nos casamos. Escolhemos a Itália por vários pequenos motivos, ele cresceu em uma comunidade de imigrantes italianos no brasil chamada Venda Nova do Imigrante - VNI no Espirito Santo, onde eu morei por 3 anos, sabendo disso não é difícil imaginar que esse era seu sonho de infância e eu sempre tive interesse em conhecer Itália ja que além de também ser descendente de imigrantes italianos (apesar de ainda não ter a dupla cidadania reconhecida), também me encantava com a possibilidade de vivenciar essa “energia” de viver em um local onde nasceu muitas das minhas referencias culturais.

"Grandeza" - Iolanda Delpupo


Como é o seu processo criativo em torno do feminino?


O Meu processo criativo é intuitivo e experimental, se inicia através de uma sensação vívida, muito forte, que pode ser um incômodo intenso diante de uma situação que caminha de encontro às minhas crenças ou o exato oposto e que me causa uma grande satisfação, uma plenitude! Em geral, porque sou mulher, as vivencias relativas ao feminino se apresentam com um impacto profundo em forma de inspiração, e também em virtude de um percurso de autoconhecimento cada vez mais habitual e profundo. Minha produção artística me inseriu em uma espiral virtuosa quanto mais mergulho em mim, mais sobre o feminino conheço e quanto mais pesquiso o feminino mais me reconheço, quanto mais me expresso em arte mais clareza tenho acerca da nossa sociedade e suas vísceras e como pela própria natureza, essa espiral impulsiona em mim, uma gigantesca necessidade de expressar a minha opinião, assim se faz o ponto inicial do meu processo criativo!

O aspecto experimental esta muito relacionado à produção em si, já que me permito usar de diversas técnicas e até mesmo seguir sem o auxilio das mesmas. Produzo com giz oleoso por tentativa e erro, com tinta a óleo seguindo a risca as regras de uma técnica clássica, modelo a argila intuitivamente como a imagem me vem à mente ou com tinta acrílica produzo através dos meus movimentos enquanto danço livremente, e vice e versa na beleza do compor. Muitas vezes faço uma pesquisa acerca dos signos e simbologias que combinados sejam agradáveis ao meu critério estético e tenham a capacidade de promover o diálogo daqueles que estão fruindo! Me encanta as diversas combinações que posso fazer com esses elementos simbólicos e me dedico a uma série de experimentações, experimento a composição geral (Tento com essas experimentações descobrir a posição que cada elemento ocupará na composição geral da obra), experimento a estética singular de cada elemento, seleciono quais cores serão utilizadas tendo em mente harmonia entre elas e o valor simbólico de cada cor… então tenho definido em papel uma espécie de “modelo“ do que será feito em tela ou digital. Ao longo da produção artística me permito a liberdade de fazer alterações, a arte é viva portanto a pintura em si ainda é parte do processo criativo passível de transformações!

Muitas de minhas obras em telas/desenhos são convertidas em obras digitais, nesses caso registro a obra por fotografia e trabalho digitalmente utilizando diversos aplicativos, não me imponho regras ou limites de experimentações. Estou sempre testando novas formas de compor e isso me encanta, penso que posso afirmar que a única coisa permanente no meu processo criativo é o “que me move”.



Qual mensagem você quer passar quando explora a temática do feminino tão presente em suas obras?


Nós mulheres fomos desvinculadas de nossa essência e estamos aprisionadas aos tabus em torno de nossa natureza. Essa não é a mensagem que eu gostaria de transmitir, no entanto é a realidade na qual me inspiro quando eu componho. Eu penso que mais importante do que a mensagem que eu inicialmente desejasse transmitir com uma obra, seja a mensagem que de fato essa obra transmitiu. O meu processo criativo, como já comentei, muitas vezes começa escolhendo todos os valores simbólicos que gostaria que estivessem presentes naquela obra, de maneira que não posso negar que realmente tem sempre alguma mensagem em todas as minhas obras e no geral estão vinculadas à minha visão das vivências do feminino, sempre de maneira simbólica e poética, quase uma mensagem cifrada… faço de propósito porque me interessa aguçar esse questionamento na fruição de minhas obras que estão sempre abertas a nova interpretação. É belo que uma obra de arte seja um gerador, que diante de uma obra de arte duas pessoas possam encontrar significados diversos e que conversem diretamente com o seu íntimo cultural e que cada um frua a seu modo e depois conversem entre si, fomentando cada vez mais o debate inicial. Almejo que minhas obras sejam testemunhas do poder de transformação que o dialogo e a informação possuem, e que gozem do privilegio de pertencer aos relatos de mulheres que se reencontraram com sua essência.


"Nascimento" Iolanda Delpupo


Você vem apresentando um projeto muito interessante, que fala muito das questões vinculadas à menstruação. Poderia falar sobre o projeto?


Lunarte é um projeto artístico anual dedicado à visibilidade menstrual. Eu decidi organizar a programação do meu Instagram exclusivamente ao tema durante toda a ultima semana do mês de maio que é o mês mundialmente correlacionado à saúde da mulher, à pobreza menstrual e à visibilidade menstrual como um todo. Todas as programações desse projeto são gratuitas e on-line justamente porque me importa que seja acessível, e para fazer que faça circular algo que considero primordial a informação! É importante que toda adolescente brasileira entenda o funcionamento do seu corpo, e ressignifique esse momento que até então é tido como um peso e o compreenda como uma vivencia sensível significativa e digo mais, nenhuma menina deve se podar ou se anular para agradar quem quer que seja… quão absurdo é uma mulher ter que esconder que menstrua? Eu acredito que o autoconhecimento é uma ferramenta poderosa e libertadora, estou empenhada em conduzir essa mensagem. A sensação de impotência é muito grande quando eu percebo que muitas das vivencias traumáticas as quais as mulheres estão sujeitas poderiam ser evitadas e/ou punidas se não fosse tudo tão vergonhoso, sujo, humilhante. Como posso esperar que uma menina tenha forças para lutar contra as violências sofridas se ela não sabe sequer que aquilo é uma violência, como esperar que ela lide bem com as transformações que estão por vir se ela não sabe o que vai acontecer? Eu penso que as vivências do feminino estão muito vinculadas a essa sensação de medo, de vergonha e de sujeira justamente porque evitamos o assunto. Eu Lembro que, na minha puberdade, há menos de 20 anos uma amiga me questionava como esconder da mãe dela que ela tinha menstruado, eu já menstruava, há cerca de 5 anos e não consegui entender porque ela queria esconder, como já disse na minha casa o diálogo sempre foi muito aberto então realmente não fazia sentido e quando perguntei ela me respondeu que se a mãe dela soubesse que ela estava menstruando iria pensar que ela estava de “safadeza” querendo perder a virgindade… Eu naquele momento pensei que seria um equivoco da mãe, mas hoje eu fico pensando que faltava dialogo entre elas… Penso que no meio de tanta transformação e medo minha amiga imaginava que a mãe ia pensar isso, então fez desse medo uma verdade como a mãe não falava com ela sobre menstruação e sexualidade em si, o medo fez crescer esse tabu na cabeça dela. E realmente não precisava ter retornado em 20 anos da minha vida para encontrar um exemplo, durante a primeira Lunarte Fiz uma mostra artística com ilustrações feitas com o meu sangue menstrual, e uma das minhas colegas de trabalho ficou chocada por eu ter tido a coragem de tocar no meu sangue para fazer o desenho.

E estes são somente 2 dos inúmeros exemplos que eu acompanhei da minha puberdade aos dias atuais, eu fico imaginando quantas outras meninas passaram pela mesma situação e não tinha com quem conversar e também procuravam ajuda nas meninas da mesma idade, ou através de outros recursos que nem sempre são confiáveis, quantas mulheres ainda sentem vergonha de serem mulheres, quantas já são mães e não estão prontas para dialogar com suas filhas…

Durante o Lunarte as meninas e mulheres podem contar com cinco dias dedicados a Lunação interna, toda a minha programação habitual se torna temática, e além disso temos mostras artísticas (vídeo e ilustração), igtv, podcast (entrevista) e uma edição toda especial com reels entre outros, promovo esse conhecimento de uma maneira leve porém responsável.


Qual mensagem você deixaria para quem está iniciando no mundo das artes?