• Marisa Melo

Entrevista com a Artista Rudy Rahal

Atualizado: Abr 17


O trabalho da UP Time Art Gallery é inspirar e fascinar através da Arte. Nossos artistas apresentam trabalhos que retratam nossas emoções, nossas causas, nossas vidas. O público sempre quer conhecer o artista por trás da obra. Quem é, como pensa? Que história de vida levou a esse trabalho?


Hoje conversamos com Rudy Rahal!


1- Como você entrou para o mundo da arte?


Como toda criança, sempre gostei de desenhar e ter ganho um concurso de desenho na escola aguçou ainda mais meu interesse. Mas acabei optando por estudar Direito - outra inclinação minha - e por anos atuei como advogada no mundo corporativo. No final dos anos 90, buscando realizar antigo ideal, cursei Artes Plásticas na escola Panamericana de Arte, porém me dedicando ao campo da arte esporadicamente pela dificuldade em conciliar essa prática com a advocacia. No ano de 2020, retornei os estudos nessa mesma escola e hoje me dedico exclusivamente à arte.


2- De onde vem suas inspirações?


A figura feminina sempre me inspirou, especialmente o rosto com expressões que traduzem profundos sentimentos, emoções latentes, as linhas marcantes, a estética harmônica, que observo em pessoas, fotos, ou que meramente idealizo ao fazer um desenho, ou ao ver uma arte que magnetiza, instiga e sugere novos caminhos.


Mas a maior, imprescindível e inesgotável fonte de inspiração é o vastíssimo universo das artes. Conhecer, estudar, mergulhar sempre nesse mundo, é essencial para estimularmos continuamente nossa criatividade.


Importante lembrar que abrir portas para a inspiração e a realização de um bom trabalho demanda - além do amor à arte - empenho árduo, estudo e dedicação constantes, sobretudo ousadia para inovar. Não basta o tão apregoado “dom”.


É preciso também saber aquietar a mente após alimentá-la com toda essa bagagem, parar, sentir, abrir portas para a “inspiração” nascer, como que num insight que pode parecer surgido “do nada”, mas que é fruto de todo esse processo, resultado de nossos valores, intenções, propósitos e dedicação.


Série "Olhar" - Rudy Rahal


3- quais são suas influências para o desenvolvimento de sua linguagem?


Colho influências no expressionismo, com foco na pintura figurativa não só de uma estampa humana mas também nas emoções, nas intenções, marcas de sua alma.


Meus retratos atuais, no que se refere à alta expressividade, à dramaticidade no olhar do retratado que fita diretamente o observador, e à transcendência aos limites da figuração clássica, tiveram alguma influência de Jenny Saville, artista que integrou o grupo do Young British Artists, movimento de jovens artistas da década de 1990, na Inglaterra.


4-O seu processo criativo foi afetado pela pandemia?


Eu reiniciei meus estudos na escola Panamericana justamente no começo da pandemia e posso dizer que o isolamento social acabou me ajudando muito na intensificação da minha dedicação à arte e no estímulo ao meu processo criativo.


Focada no isolamento social, além de outros trabalhos, desenvolvi a série Olhar atenta ao distanciamento físico a nós imposto, quando a comunicação pelo olhar adquiriu importância renovada. Os olhos, canal que entrega a alma, tornaram-se veículo principal para transmissão de nossos sentimentos.


Certamente, a pandemia nos fez mais reflexivos, mais quietos, sensíveis, empáticos, mais disponíveis para a leitura, estudos, e a dedicação à arte beneficia-se muito nesse ambiente.


5- Você acha que toda arte deve ser engajada?


A arte sempre é engajada, ainda que não comprometida com questões sociais ou políticas.


Arte é dar luz, voz e corpo à alma, viabilizando a materialização de nossas crenças, valores, desconcertos, sentimentos ocultos. Pela arte, também refletimos o contexto social de uma época, protestamos, exaltamos ideias, políticas, influenciamos pessoas, convidamos à reflexão, incomodamos ou confortamos.


Ainda, rompe-se com modelos sedimentados, revoluciona-se a maneira de fazer arte correndo-se riscos imponderáveis, como, por exemplo, fizeram os artistas impressionistas, focados em inovadores aspectos visuais, ou os expressionistas mais atentos às questões emocionais, quebrando-se duras barreiras para tanto, arriscando-se muito para dar luz e lugar ao novo. Isso é engajamento.

Enfim, não existe arte que não seja engajada, que não participe e não sobreviva de alguma crença, mesmo que ela não tenha por foco questionar um contexto de política e cultura sociais.


Série "Olhar" - Rudy Rahal



6- Fale sobre seus novos projetos


Pretendo dar sequência aos retratos, pesquisando novas formas de expressão e estilo, penso em buscar também novos sentidos à comunicação pelo olhar.


Ainda, quero desenvolver nova pesquisa voltada para a figura humana.

7- Quais os principais desafios que você enfrenta como artista plástica.


Eu sou uma artista visual em início de carreira, então, no momento, meu maior desafio é me colocar efetivamente no mercado. Como notório, em grande parte devido à pandemia, a arte também migrou substancialmente para o mundo virtual, o que veio a facilitar a divulgação e expansão de nosso trabalho, mas ainda há muito a fazer e aprender. Na era atual, não basta ser artista, entender de arte, é preciso mais, conhecer as ferramentas certas, as galerias certas, entender de marketing, saber usar as redes sociais, o que e como expor da melhor maneira, com foco naquilo que o mercado valoriza e quer. Enfim, vários são os desafios, além da arte de sempre inovar, ousar e surpreender.



8-Você acha que a arte cumpre seu papel social?


Sim, a arte cumpre seu papel social, seja provocando, convidando à reflexão, complementado a realidade, descortinando novos caminhos, chocando ou encantando. Como disse Ferreira Gullar, “a arte existe pois a vida não basta”.


Picasso referiu-se à sua obra Les Demoiselles d' Ávigmon como uma pintura de “exorcismo" aos perigos da gratificação instantânea do sexo com prostitutas, uma advertência aos perigos da doença venérea que se alastrava muito em meio à boemia artística da Paris da época.

Mais recentemente, Jenny Saville, em suas obras, retrata corpos femininos distorcidos, carnudos, para provocar interesse, confusão e excitação. Ela brinca com a “ambiguidade da personificação” e o que significa ser “feminino” ou “bonito” valendo-se da distorção e do “nojo”. Essa estética do nojo levou as pessoas a se sentirem desconfortáveis e despertou nelas a autonomia para decidir sobre seu próprio padrão de beleza, além do padrão que lhes é imposto pela sociedade. Em suma, Saville quebra convenções sociais que incentivam mulheres a se ajustarem a padrões de beleza limitantes.


Finalmente, para falar de nossa realidade atual, a vida na pandemia seria mais “vazia" para os artistas e para aqueles que puderam se deleitar com ela não fosse o notável incremento desse mercado. A produção elevou-se substancialmente e os lares ficaram mais coloridos.



Saiba mais:

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Série "Olhar" - Rudy Rahal



Sobre a UP Time Art Gallery:

Galeria de arte itinerante que reúne artistas do Brasil e de países da Europa para disseminar o que há de melhor no cenário da arte contemporânea. Fundada por Marisa Melo, a galeria de arte alcança mais de 30 países ao redor do mundo, isso porque ela funciona em formato digital desde o seu nascimento, apresentando mundialmente exposições 3D e exposições regionais presenciais com um time de artistas distintos.


Sobre Marisa Melo:

Formada em Propaganda e Marketing, Moda e Fotografia. Especialista também em crítica de arte, Gestão de Negócios, Arte e Estética e Design Gráfico. Artista Visual, consultora de projetos Artísticos, produtora de mostras, curadora e redatora de textos curatoriais.


Nossos serviços:

Exposições virtuais, físicas nacionais e Internacionais, Feiras de Arte, Projetos, Catálogo do Artista, Consultoria para Artistas, Coaching, Construção de Portfólio, Posicionamento Digital, Branding, Marketing Digital, Criação de Conteúdo, Identidade Visual, Biografia, Textos Crítico , Assessoria de Imprensa, Entrevistas e Provocações.



Série: "Olhares" Rudy Rahal



Série: "Olhares" Rudy Rahal




Série: "Olhares" Rudy Rahal


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The UP Time Art Gallery's job is to inspire and fascinate through art. Our artists present works that portray our emotions, our causes, our lives. The public always wants to know the artist behind the work. Who is it, how do you think? What life story led to this work?


Today we talked to Rudy Rahal!


1- How did you get into the art world? Like every child, I always liked to draw and having won a drawing contest at school sharpened my interest even more. But I ended up choosing to study law - another inclination of mine - and for years I worked as a lawyer in the corporate world. At the end of the 90s, seeking to fulfill an old ideal, I studied Fine Arts at the Panamerican School of Art, but dedicating myself to the field of art sporadically due to the difficulty in reconciling this practice with the law. In the year 2020, I returned to study at that same school and today I dedicate myself exclusively to art.


2- Where do your inspirations come from? The female figure has always inspired me, especially the face with expressions that translate deep feelings, latent emotions, the striking lines, the harmonious aesthetics, that I observe in people, photos, or that I merely idealize when making a drawing, or when seeing an art that it magnetizes, instigates and suggests new paths. But the biggest, essential and inexhaustible source of inspiration is the vast universe of the arts. Knowing, studying, always diving into this world, is essential for us to continually stimulate our creativity. It is important to remember that opening doors for inspiration and doing good work requires - in addition to the love of art - hard effort, constant study and dedication, above all daring to innovate. The much-vaunted “gift” is not enough. It is also necessary to know how to calm the mind after feeding it with all that baggage, stopping, feeling, opening doors for the “inspiration” to be born, as if in an insight that may seem to appear “out of nowhere”, but that is the result of this whole process , the result of our values, intentions, purposes and dedication.


3- What are your influences for the development of your language? I pick up influences on expressionism, with a focus on figurative painting not only of a human print but also on the emotions, intentions, marks of a soul. My current portraits, with regard to high expressiveness, the dramatic look in the portrait that stares directly at the observer, and the transcendence to the limits of classical figuration, had some influence from Jenny Saville, artist who was part of the group of Young British Artists movement of young artists of the 1990s in England.


4- Has your creative process been affected by the pandemic? I restarted my studies at Panamericana school just at the beginning of the pandemic and I can say that social isolation ended up helping me a lot in intensifying my dedication to art and in stimulating my creative process. Focused on social isolation, in addition to other works, I developed the series Olhar attentive to the physical distance imposed on us, when communication through the eyes acquired renewed importance. The eyes, the channel that delivers the soul, have become the main vehicle for transmitting our feelings. Certainly, the pandemic has made us more reflective, more quiet, sensitive, empathic, more available for reading, studying, and dedication to art benefits a lot in this environment.


5- Do you think that all art should be engaged? Art is always engaged, even if it is not committed to social or political issues. Art is to give light, voice and body to the soul, making possible the materialization of our beliefs, values, bewilderments, hidden feelings. Through art, we also reflect the social context of an era, we protest, we extol ideas, policies, we influence people, we invite reflection, we annoy or comfort. Still, it breaks with sedimented models, the way of making art is revolutionized by taking imponderable risks, as, for example, impressionist artists did, focused on innovative visual aspects, or expressionists more attentive to emotional issues, breaking down if there are hard barriers to do so, risking a lot to give light and place to the new. This is engagement. Anyway, there is no art that is not engaged, that does not participate and does not survive any belief, even if it does not focus on questioning a context of social politics and culture.


6- Talk about your new projects I intend to give sequence to the portraits, researching new forms of expression and style, I also think of looking for new meanings to communication through the eyes. Still, I want to develop new research focused on the human figure.


7- What are the main challenges you face as an artist. I am a visual artist at the beginning of my career, so at the moment, my biggest challenge is to put myself effectively in the market. As is well known, largely due to the pandemic, art has also migrated substantially to the virtual world, which has facilitated the dissemination and expansion of our work, but there is still much to do and learn. In the current era, it is not enough to be an artist, to understand art, more is needed, to know the right tools, the right galleries, to understand marketing, to know how to use social networks, what and how to expose in the best way, focusing on what the market values ​​and wants. Anyway, there are several challenges, in addition to the art of always innovating, daring and surprising.


8-Do you think that art fulfills its social role? Yes, art fulfills its social role, whether provoking, inviting reflection, complementing reality, opening new paths, shocking or enchanting. As Ferreira Gullar said, “art exists because life is not enough”. Picasso referred to his work Les Demoiselles d 'Ávigmon as a painting of "exorcism" to the dangers of instant gratification of sex with prostitutes, a warning to the dangers of venereal disease that was spreading amidst the artistic bohemia of Paris at the time. More recently, Jenny Saville, in her works, portrays distorted, fleshy female bodies, to provoke interest, confusion and excitement. She plays with the “ambiguity of personification” and what it means to be “feminine” or “beautiful” using distortion and “disgust”. This aesthetics of disgust led people to feel uncomfortable and awoke in them the autonomy to decide on their own standard of beauty, in addition to the standard imposed on them by society. In short, Saville breaks social conventions that encourage women to adjust to limiting beauty standards. Finally, to speak of our current reality, life in the pandemic would be more "empty" for artists and for those who could enjoy it if it were not for the notable increase in this market. Production increased substantially and homes became more colorful .


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About the UP Time Art Gallery: Itinerant art gallery that brings together artists from Brazil and European countries to disseminate the best in the contemporary art scene. Founded by Marisa Melo, the art gallery reaches more than 30 countries around the world, because it works in digital format since its birth, presenting worldwide 3D exhibitions and face-to-face regional exhibitions with a team of distinguished artists. About Marisa Melo: Graduated in Advertising and Marketing, Fashion and Photography. Specialist also in art criticism, Business Management, Art and Aesthetics and Graphic Design. Visual artist, consultant for artistic projects, producer of exhibitions, curator and writer of curatorial texts. Our services: Virtual, national and international physical exhibitions, Art Fairs, Projects, Artist Catalog, Consulting for Artists, Coaching, Portfolio Building, Digital Positioning, Branding, Digital Marketing, Content Creation, Visual Identity, Biography, Critical Texts, Advisory Press, Interviews and Provocations.


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