• Marisa Melo

Entrevista com a Artista Rudy Rahal

Atualizado: 17 de Abr de 2021


O trabalho da UP Time Art Gallery é inspirar e fascinar através da Arte. Nossos artistas apresentam trabalhos que retratam nossas emoções, nossas causas, nossas vidas. O público sempre quer conhecer o artista por trás da obra. Quem é, como pensa? Que história de vida levou a esse trabalho?


Hoje conversamos com Rudy Rahal!


1- Como você entrou para o mundo da arte?


Como toda criança, sempre gostei de desenhar e ter ganho um concurso de desenho na escola aguçou ainda mais meu interesse. Mas acabei optando por estudar Direito - outra inclinação minha - e por anos atuei como advogada no mundo corporativo. No final dos anos 90, buscando realizar antigo ideal, cursei Artes Plásticas na escola Panamericana de Arte, porém me dedicando ao campo da arte esporadicamente pela dificuldade em conciliar essa prática com a advocacia. No ano de 2020, retornei os estudos nessa mesma escola e hoje me dedico exclusivamente à arte.


2- De onde vem suas inspirações?


A figura feminina sempre me inspirou, especialmente o rosto com expressões que traduzem profundos sentimentos, emoções latentes, as linhas marcantes, a estética harmônica, que observo em pessoas, fotos, ou que meramente idealizo ao fazer um desenho, ou ao ver uma arte que magnetiza, instiga e sugere novos caminhos.


Mas a maior, imprescindível e inesgotável fonte de inspiração é o vastíssimo universo das artes. Conhecer, estudar, mergulhar sempre nesse mundo, é essencial para estimularmos continuamente nossa criatividade.


Importante lembrar que abrir portas para a inspiração e a realização de um bom trabalho demanda - além do amor à arte - empenho árduo, estudo e dedicação constantes, sobretudo ousadia para inovar. Não basta o tão apregoado “dom”.


É preciso também saber aquietar a mente após alimentá-la com toda essa bagagem, parar, sentir, abrir portas para a “inspiração” nascer, como que num insight que pode parecer surgido “do nada”, mas que é fruto de todo esse processo, resultado de nossos valores, intenções, propósitos e dedicação.


Série "Olhar" - Rudy Rahal


3- quais são suas influências para o desenvolvimento de sua linguagem?


Colho influências no expressionismo, com foco na pintura figurativa não só de uma estampa humana mas também nas emoções, nas intenções, marcas de sua alma.


Meus retratos atuais, no que se refere à alta expressividade, à dramaticidade no olhar do retratado que fita diretamente o observador, e à transcendência aos limites da figuração clássica, tiveram alguma influência de Jenny Saville, artista que integrou o grupo do Young British Artists, movimento de jovens artistas da década de 1990, na Inglaterra.


4-O seu processo criativo foi afetado pela pandemia?


Eu reiniciei meus estudos na escola Panamericana justamente no começo da pandemia e posso dizer que o isolamento social acabou me ajudando muito na intensificação da minha dedicação à arte e no estímulo ao meu processo criativo.


Focada no isolamento social, além de outros trabalhos, desenvolvi a série Olhar atenta ao distanciamento físico a nós imposto, quando a comunicação pelo olhar adquiriu importância renovada. Os olhos, canal que entrega a alma, tornaram-se veículo principal para transmissão de nossos sentimentos.


Certamente, a pandemia nos fez mais reflexivos, mais quietos, sensíveis, empáticos, mais disponíveis para a leitura, estudos, e a dedicação à arte beneficia-se muito nesse ambiente.


5- Você acha que toda arte deve ser engajada?


A arte sempre é engajada, ainda que não comprometida com questões sociais ou políticas.


Arte é dar luz, voz e corpo à alma, viabilizando a materialização de nossas crenças, valores, desconcertos, sentimentos ocultos. Pela arte, também refletimos o contexto social de uma época, protestamos, exaltamos ideias, políticas, influenciamos pessoas, convidamos à reflexão, incomodamos ou confortamos.


Ainda, rompe-se com modelos sedimentados, revoluciona-se a maneira de fazer arte correndo-se riscos imponderáveis, como, por exemplo, fizeram os artistas impressionistas, focados em inovadores aspectos visuais, ou os expressionistas mais atentos às questões emocionais, quebrando-se duras barreiras para tanto, arriscando-se muito para dar luz e lugar ao novo. Isso é engajamento.

Enfim, não existe arte que não seja engajada, que não participe e não sobreviva de alguma crença, mesmo que ela não tenha por foco questionar um contexto de política e cultura sociais.


Série "Olhar" - Rudy Rahal



6- Fale sobre seus novos projetos


Pretendo dar sequência aos retratos, pesquisando novas formas de expressão e estilo, penso em buscar também novos sentidos à comunicação pelo olhar.


Ainda, quero desenvolver nova pesquisa voltada para a figura humana.

7- Quais os principais desafios que você enfrenta como artista plástica.


Eu sou uma artista visual em início de carreira, então, no momento, meu maior desafio é me colocar efetivamente no mercado. Como notório, em grande parte devido à pandemia, a arte também migrou substancialmente para o mundo virtual, o que veio a facilitar a divulgação e expansão de nosso trabalho, mas ainda há muito a fazer e aprender. Na era atual, não basta ser artista, entender de arte, é preciso mais, conhecer as ferramentas certas, as galerias certas, entender de marketing, saber usar as redes sociais, o que e como expor da melhor maneira, com foco naquilo que o mercado valoriza e quer. Enfim, vários são os desafios, além da arte de sempre inovar, ousar e surpreender.



8-Você acha que a arte cumpre seu papel social?


Sim, a arte cumpre seu papel social, seja provocando, convidando à reflexão, complementado a realidade, descortinando novos caminhos, chocando ou encantando. Como disse Ferreira Gullar, “a arte existe pois a vida não basta”.


Picasso referiu-se à sua obra Les Demoiselles d' Ávigmon como uma pintura de “exorcismo" aos perigos da gratificação instantânea do sexo com prostitutas, uma advertência aos perigos da doença venérea que se alastrava muito em meio à boemia artística da Paris da época.

Mais recentemente, Jenny Saville, em suas obras, retrata corpos femininos distorcidos, carnudos, para provocar interesse, confusão e excitação. Ela brinca com a “ambiguidade da personificação” e o que significa ser “feminino” ou “bonito” valendo-se da distorção e do “nojo”. Essa estética do nojo levou as pessoas a se sentirem desconfortáveis e despertou nelas a autonomia para decidir sobre seu próprio padrão de beleza, além do padrão que lhes é imposto pela sociedade. Em suma, Saville quebra convenções sociais que incentivam mulheres a se ajustarem a padrões de beleza limitantes.


Finalmente, para falar de nossa realidade atual, a vida na pandemia seria mais “vazia" para os artistas e para aqueles que puderam se deleitar com ela não fosse o notável incremento desse mercado. A produção elevou-se substancialmente e os lares ficaram mais coloridos.



Saiba mais:

Instagram: @rudy_rahal_art

https://www.facebook.com/rudyane

Série "Olhar" - Rudy Rahal



Sobre a UP Time Art Gallery:

Galeria de arte itinerante que reúne artistas do Brasil e de países da Europa para disseminar o que há de melhor no cenário da arte contemporânea. Fundada por Marisa Melo, a galeria de arte alcança mais de 30 países ao redor do mundo, isso porque ela funciona em formato digital desde o seu nascimento, apresentando mundialmente exposições 3D e exposições regionais presenciais com um time de artistas distintos.


Sobre Marisa Melo:

Formada em Propaganda e Marketing, Moda e Fotografia. Especialista também em crítica de arte, Gestão de Negócios, Arte e Estética e Design Gráfico. Artista Visual, consultora de projetos Artísticos, produtora de mostras, curadora e redatora de textos curatoriais.


Nossos serviços:

Exposições virtuais, físicas nacionais e Internacionais, Feiras de Arte, Projetos, Catálogo do Artista, Consultoria para Artistas, Coaching, Construção de Portfólio, Posicionamento Digital, Branding, Marketing Digital, Criação de Conteúdo, Identidade Visual, Biografia, Textos Crítico , Assessoria de Imprensa, Entrevistas e Provocações.



Série: "Olhares" Rudy Rahal



Série: "Olhares" Rudy Rahal