• Marisa Melo

Entrevista com a Artista Lu Monin

Lu Monin – Liberdade e Renovação

O trabalho da UP Time Art Gallery é inspirar e fascinar através da Arte. Nossos artistas apresentam trabalhos que retratam nossas emoções, nossas causas, nossas vidas. O público sempre quer conhecer o artista por trás da obra. Quem é, como pensa? Que história de vida levou a esse trabalho?

Hoje conversamos com a artista visual Lu Monin.

Lu Monin nos traz, em cada imagem, a originalidade do novo, seja nos materiais, seja na técnica. Figuras geométricas se combinam à figura humana especialmente a feminina. Atenta aos dilemas e desafios que a sociedade enfrenta, Ela busca abrir espaço para o prazer da liberdade criativa.

Nesta entrevista, Lu Monin nos fala sobre alegria, estilo e inspiração e como conciliar dois elementos básicos para todo artista: Disciplina e Liberdade.

Lu Monin

Como é ser brasileira e morar num dos lugares mais desejados, a Suíça?

É muito bom morar na Suíça, o país é lindo, o nível de educação é excelente e arte por aqui é muito mais valorizada. O difícil é viver longe da família e dos amigos... mas eu não me lamento o tempo todo. Gasto minha energia mantendo nossas conexões ativas. Adoro o meu país natal e o nosso jeito alegre de ser!

Pretende voltar a morar no Brasil?

Hoje não temos planos. Meu marido e eu moramos no Brasil quando as crianças eram pequenas. Depois decidimos escolarizá-los aqui. Mas quem pode dizer como será o amanhã? Eu não excluo essa possibilidade.

Como foram seus primeiros passos na Arte?

Eu sempre gostei de desenhar; passava horas com um papel e uma esferográfica na mão. Também pintava com lápis, mas sem nenhuma pretensão. Era uma forma de me expressar. A pintura veio muito mais tarde, já adulta. Apesar de nunca ter feito belas artes, pintar rapidamente se tornou um prazer e uma necessidade. Misturar texturas e cores dando formas à uma ideia, traz uma sensação muito gratificante. Quando alguém que você não conhece compra a sua arte porque gostou dela, então a alegria é maior ainda.

Quais Artistas servem de referência para o seu trabalho?

Admiro a obra de Pablo Picasso; seu traço livre e a sua palete de cores. Acho que corresponde muito comigo. Uso as obras dele como inspiração nos eventos Wine & Painting night e todo mundo adora.

Mesmo de longe sigo alguns artistas brasileiros nas redes sociais. A nossa arte é maravilhosa, cheia de vida, como por exemplo nas imensas telas de Beatriz Milhazes ou nas cenas quotidianas de Gustavo Rosa.

Fale sobre seu processo criativo. Como chega a inspiração para você?

As vezes ela chega no meio da noite e fico torcendo para que não passe até o dia amanhecer!

Vou a muitas exposições de arte, visito galerias e leio muitas revistas especializadas. Acho que recebo informações valiosas que ajudam no meu processo criativo.

Faço muitos exercícios de pintura no meu ateliê, sozinha. Testo novas técnicas, novos materiais e jeitos novos de usar o material de sempre. Transformo todos os restos de tinta em massa acrílica e uso com cores novas para dar textura às telas. Pinto com pincéis, espátulas, esponjas, escovas, papel alumínio e até com os dedos. Digo aos meus alunos que pintar tem que ser divertido!

Quando começa uma obra, você já tem a imagem final em mente?

Nem um pouco! Quando começo uma tela nova, tenho uma ideia parcial de onde quero chegar, mas na grande maioria das vezes sou obrigada a mudar o rumo, pois as cores se misturam de outra forma... ou os traços dos pincéis não são aqueles que eu esperava... enfim, cheguei à conclusão que comando muito pouco nas minhas criações; fico literalmente olhando para a tela à espera do que ela tem a me dizer. Este ano terminei duas telas que comecei há dois anos!

Você acha que toda Arte deve ser engajada socialmente?

Acho que a resposta certa é “sim”.

Mas eu queria tanto pintar só pelo prazer, só pela beleza das cores sobre a tela, pelo bem-estar que admirar uma obra de arte nos traz!

Será que dá para lutar pelo direito dos artista em pintar em toda a liberdade e de expressar seus sentimentos e sua visão do mundo naquele instante de criação?

Como desenvolveu seu estilo?

Não acho que meu estilo já esteja definido; tenho sempre tantas dúvidas na hora de trabalhar numa obra nova. Existem formas geométricas que sempre aparecem no meu trabalho: círculos, quadrados e linhas... muitas vezes manchas que dão a impressão de um “rasgo” na tela.

Também uso muito a figura humana, na maioria das vezes feminina. Essas mulheres representam muita força e capacidade em todas as situações. Talvez esteja aí o nascimento de um estilo?

Como você vê o momento cultural no dias de hoje? A arte, em termos gerais, cumpre com um papel de refletir a sociedade?

Sim, acho que a arte de hoje está muito bem representada e engajada com o momento atual. A prova é tudo que foi e ainda está sendo criado como resultado da crise sanitária mundial. Mas ainda estamos longe de dar acesso a todos, com igualdade, à cultura. Mesmo aqui na Suíça lutamos para mostrar a importância da cultura artística na sociedade. Infelizmente o trabalho do artista-plástico (e dos artistas de todas as áreas) não é, para muitos, de “primeira necessidade”. Hoje, mais do que nunca, precisamos instigar a sociedade a dar à Arte o valor que ela merece.

Qual mensagem você deixaria para um aspirante?

Construa seu projeto de forma metódica; mesmo um artista precisa de disciplina. Dê uma chance verdadeira para as coisas funcionarem (pense em 5 anos de teste!) e seja flexível para ajustar o rumo conforme você ganha experiência. Trabalhe com dedicação e procure ajuda daqueles que estão à sua frente.





Saiba mais sobre Lu Monin:

Instagram: @lu.monin

facebook.com/profile.php?id=100004319836206

Website: www.lumonin.ch/

Lu Monin – Freedom and Renewal

UP Time Art Gallery's job is to inspire and fascinate through Art. Our artists create works that portray our emotions, our causes, our lives. The public always wants to know who is behind the work. Who is the artist? What does he think? What life story led to the work?

Today we talk to visual artist Lu Monin.

She brings us, in each image, the originality of the new, both in materials and technique. Geometric figures combine with the human figure, especially the woman. Aware of the dilemmas and challenges society faces, she seeks to open space for the pleasure of creative freedom.

In this interview, Lu Monin talks about fun, style and inspiration and about how to reconcile two basic elements for every artist: Discipline and Freedom.

What is it like to be Brazilian and live in one of the most desired places, Switzerland?

It is very good to live in Switzerland, the country is beautiful, educational level is excellent and art here is much more valued. The hard part is living away from family and friends ... but I don't regret it. I spend my energy keeping our connections active. I love my home country and our happy way of being!

Do you intend to live in Brazil again?

Today we have no plans. My husband and I lived in Brazil when the children were younger. Then we decided to school them here. But who can say what tomorrow will be like? I do not exclude that possibility.

How were your first steps in Art?

I always liked to draw; I spent hours with a paper and a ballpoint pen in my hand. I also painted with a pencil, but without any pretense. It was a way of expressing myself. The painting came much later, as an adult. Despite never having done fine art, painting quickly became a pleasure and a necessity. Mixing textures and colors giving shape to an idea, brings a very rewarding feeling. When someone you don't know buys your art because they liked it, then the joy is even greater.

Which Artists serve as a reference for your work?

I admire the work of Pablo Picasso; His free stroke and his color palette. I think it corresponds a lot with me. I use his works as inspiration in the Wine & Painting night events and everyone loves it.

Even from afar I follow some Brazilian artists on social media. Our art is wonderful, full of life, as for example in the immense canvases of Beatriz Milhazes or in the daily scenes of Gustavo Rosa.

Talk about your creative process. How does inspiration come to you?

Sometimes it arrives in the middle of the night and I hope it doesn’t pass until dawn!

I go to many art exhibitions, visit galleries and read many specialized magazines. I think I get valuable information that helps in my creative process.

I do many painting exercises in my studio, alone. I test new techniques, new materials and new ways to use the usual material. I transform all the remains of paint into acrylic mass and use it with new colors to give texture to the canvases. I paint with brushes, spatulas, sponges, brushes, aluminum foil and even my fingers. I tell my students that painting has to be fun!

When you start a work, do you already have the final image in mind?

Not even a little! When I start a new canvas, I have a partial idea of ​​where I want to go, but most of the time I am forced to change the course, because the colors mix in another way ... or the brush strokes are not the ones I expected ... finally, I came to the conclusion that I command very little in my creations; I literally look at the screen waiting for what it has to say. This year I finished two screens that I started two years ago!

Do you think all art should be socially engaged?

I think the right answer is "yes".

But I wanted so much to paint just for the pleasure, just for the beauty of the colors on the canvas, for the well-being that admiring a work of art brings us!

Is it possible to fight for the artist's right to paint in freedom and to express his feelings and his view of the world at that moment of creation?

How did you develop your style?

I don't think my style is already defined; I always have so many doubts when it comes to working on a new project. There are geometric shapes that always appear in my work: circles, squares and lines ... often spots that give the impression of a "tear" on the canvas. I also use the human figure a lot, mostly female. These women represent a lot of strength and ability in all situations. Perhaps there is the birth of a style?

How do you see the cultural moment today? Does art, in general terms, fulfill a role of reflecting society?

Yes, I think that today's art is very well represented and engaged with the current moment. The proof is everything that was and is still being created as a result of the global health crisis. But we are still a long way from giving everyone equal access to culture. Even here in Switzerland we strive to show the importance of artistic culture in society. Unfortunately, the work of the plastic artist (and of artists from all areas) is not, for many, “first necessity”. Today, more than ever, we need to encourage society to give Art the value it deserves.

What message would you leave for an aspirant?

Build your project in a methodical way; even an artist needs discipline. Give a real chance for things to work (think about 5 years of testing!) And be flexible to adjust the course as you gain experience. Work hard and seek help from those ahead of you.

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