Entrevista com a juíza e artista visual Amanda Jacobina

Atualizado: 11 de jan.

O trabalho da UP Time Art Gallery é inspirar e fascinar através da Arte. Nossos artistas apresentam trabalhos que retratam nossas emoções, nossas causas, nossas vidas. O público sempre quer conhecer o artista por trás da obra. Quem é, como pensa? Que história de vida levou a esse trabalho?


Amanda é magistrada, trabalhou em várias comarcas no interior da Bahia e, em uma delas, quando era titular da Vara Criminal de Simões Filho.

Nessa entrevista, Amanda, nos conta como consegue equilibrar a vida entre processos e arte.




1- Como você entrou no mundo da arte? Tudo aconteceu de uma maneira muito natural. Minha vida sempre foi inteiramente voltada ao estudo e trabalho. Sou Magistrada desde os 22 anos e saí de casa muito cedo, assumindo muitas atribuições e responsabilidades. Trabalhei em várias comarcas no interior da Bahia e, em uma delas, quando era titular da Vara Criminal de Simões Filho, sofri uma experiência bem traumática de ameaça e precisei andar escoltada por policiais durante alguns meses. Aquilo foi um divisor de águas em minha vida. Me gerou um quadro de ansiedade que me abriu os olhos para outras possibilidades. Na época, estava dando aulas numa pós-graduação e concluindo um doutorado em Direito Penal na Espanha. Perdi completamente o interesse em atuar nessa área. Em seguida vieram os filhos e fui abençoada com uma princesinha que tem Síndrome de Down. O primeiro ano dela foi bem complicado. Teve que se submeter a uma cirurgia no duodeno, logo após o parto e também aos dois meses, para corrigir um defeito no coração. Era uma situação que requeria muitos cuidados e gerava muita preocupação. É inegável que todo esse contexto, somado, gerou uma sobrecarga emocional e me levou a níveis de ansiedade fora do normal. Eu precisava buscar atividades que trouxessem mais leveza para o meu dia a dia e me permitissem passar por esses momentos de uma maneira mais tranquila. Foi quando decidi praticar yoga, entrar em grupos de meditação, fazer cursos de costura, pintura e desenho. Aos poucos, a pintura foi ganhando espaço, se destacando e tomando conta do meu coração. As pessoas se encantavam com as obras que eu estava produzindo, faziam encomendas e a coisa foi crescendo, sem muito planejamento. O que era um hobby acabou se tornando uma verdadeira paixão e hoje já não me imagino sem pintar. 2- Como você desenvolveu o seu estilo? Acredito que o meu estilo ainda esteja em processo. O fato de não viver financeiramente da arte me possibilita experimentar o novo a todo momento. Me sinto muito livre e a vontade para trabalhar com várias técnicas e diversos suportes, sem muitas limitações. Essa questão de estilo é um processo de amadurecimento que leva seu tempo. Como minha atividade de pintura não se dá em tempo integral, percorro este caminho de uma forma mais lenta, mas com muita tranquilidade e sem cobranças. Vou pintando o que me dá vontade no momento, seja figurativo ou abstrato. Às vezes a óleo, outras vezes acrílico ou simplesmente me deleitando com abstratos em aquarela, que é uma das minhas grandes paixões. 3- Como é o seu processo criativo e quais suas inspirações e referências? Ainda que me sinta muito livre no meu processo de criação, não posso negar que minha maior fonte de inspiração são as relações entre os seres humanos e, em especial, as mulheres. Sinto uma profunda admiração pelo universo feminino, suas relações e suas paixões. Através de algumas de minhas coleções, costumo transitar por diversas facetas da mulher. A coleção ELA, por exemplo, retrata a mulher madura, autoconfiante e plenamente consciente do seu poder de sedução. As telas que compõem esta coleção são uma verdadeira homenagem à força interior que se encontra presente em cada mulher! São telas fortes, que retratam a sensualidade da mulher de uma forma muito genuína e delicada. Por outro lado, as coleções ALEGRIA e BALÕES ENCANTADOS fazem o contraponto. Traduzem uma versão mais pueril, doce e ingênua da mulher. Cheia de fragilidades e que jamais prescindirá de carinhos e cuidados.


O Beijo - Acrílica sobre tela - 100cm x 80cm.

4- Qual mensagem você quer passar com sua arte? Meu maior objetivo é conseguir transmitir uma sensação de satisfação, bem-estar e conforto para os colecionadores que adquirem minhas obras. Seja simplesmente pelo fator estético da obra, seja pela mensagem implícita que toca, de uma maneira muito particular, a alma e o coração dos que as adquirem. 5- Qual o principal desafio que você encontrou no início de sua carreira? Não tenho qualquer formação artística e nunca tive a pretensão de me tornar artista. Como nada foi intencional e nunca enxerguei a arte como uma verdadeira carreira, acho que nunca passei por esse momento de “dificuldades na carreira”. A pintura é algo que faço por puro deleite, sem muitas cobranças ou pressões e que acabou me gerando muitos frutos bons. De uma forma muito natural, o que era simples amadorismo foi saindo desse espaço para ocupar um lugar ainda indefinido e estou deixando as coisas acontecerem. Por outro lado, em termos de aprendizado, meu maior desafio foi partir do zero, literalmente. Confesso que nunca tive qualquer “dom” ou inclinação para o desenho ou pintura, mas a sensação de bem-estar que eu tinha ao estar diante de uma tela me fez querer entender, estudar e praticar o máximo que pudesse. Então entrei de cara e mergulhei nesse mundo mágico. Para ser bem sincera, ainda me sinto uma aprendiz e enfrento sérias dificuldades com o desenho. Retratar figuras humanas para mim não é uma tarefa fácil, e até hoje tenho aulas de desenho. 6- Você acha que toda arte deve ser engajada socialmente? Existem obras que, efetivamente, trazem um discurso social implícito e que visam a problematizar determinadas questões sociais e provocar importantes questionamentos. Mas isso não precisa ser necessariamente assim. A arte cumpre o seu papel de diversas formas e o engajamento social dela já existe apenas pelo fato dela ser arte em um mundo e uma sociedade que não priorizam essa área, tão relevante para a formação do intelecto humano. 7- Você conseguiu produzir na pandemia? Acha que o fato de estarmos reclusos aflorou ainda mais a criatividade? Sim, bastante. Especialmente nos primeiros meses em que estávamos enclausurados em nossas casas. Cada um passou por esse momento de uma forma distinta, mas sem dúvidas eram muitas emoções acumuladas que precisavam vir à tona e nada melhor do que uma tela em branco ou outro suporte para despejar essas emoções. Em meu caso, com a coleção “Ela”, acredito que cada mulher pintada nesta época revelava a nossa força interior de lidar com o desconhecido e enfrentar as dificuldades e limitações daquele momento mais crítico da pandemia.



Amaya - Acrílica sobre tela - 70 x 50 cm 8- Como é conciliar sua carreira de juíza com a arte? Com a titularidade de uma vara que tem cerca de 70.000 processos e com três crianças em casa, posso dizer que é uma missão quase impossível (risos). Só consigo pintar nas poucas horas vagas que me sobram. Nos fins de semana raramente vou ao ateliê, pois priorizo a família. Então, é bem difícil conciliar. Por isso minha produção é bastante lenta e quando recebo encomendas procuro dar um prazo bastante elástico para conclusão do trabalho. A arte entrou em minha vida como uma atividade terapêutica, exatamente para me trazer paz e tranquilidade. Por isso tem que ser sempre um momento de prazer. Se houver pressões e cobranças nesta área perderá completamente o sentido para mim. 9-Qual mensagem você deixa para um aspirante? Se existe amor verdadeiro no que você está fazendo, as pessoas enxergarão isso em algum momento. Perfeição não existe, faça sua parte com muito amor, que o universo se encarrega do resto.



Saiba mais:

www.amandajacobina.art

Instagram: @amandajacobina



Sobre a UP Time Art Gallery:


Galeria de arte itinerante que reúne artistas do Brasil e de países da Europa para disseminar o que há de melhor no cenário da arte contemporânea. Fundada por Marisa Melo, a galeria de arte alcança mais de 30 países ao redor do mundo, isso porque ela funciona em formato digital desde o seu nascimento, apresentando mundialmente exposições 3D e exposições regionais presenciais com um time de artistas distintos.



Sobre Marisa Melo:


Formada em Propaganda e Marketing, Moda e Fotografia. Especialista também em crítica de arte, Gestão de Negócios, Arte e Estética e Design Gráfico. Artista Visual, certificação em Liderança pela PUC, consultora de projetos Artísticos, produtora de mostras, curadora e redatora de textos curatoriais.


Nossos serviços:


Exposições virtuais, físicas nacionais e Internacionais, Feiras de Arte, Projetos, Catálogo do Artista, Consultoria para Artistas, Coaching, Construção de Portfólio, Posicionamento Digital, Branding, Marketing Digital, Criação de Conteúdo, Identidade Visual, Biografia, Textos Crítico , Assessoria de Imprensa, Entrevistas e Provocações.



The UP Time Art Gallery's job is to inspire and fascinate through art. Our artists present works that portray our emotions, our causes, our lives. The public always wants to know the artist behind the work. Who is it, how do you think? What life story led to this work.


Amanda is a magistrate, she worked in several districts in the countryside of Bahia and, in one of them, when she was head of the Criminal Court of Simões Filho. In this interview, Amanda tells us how she manages to balance life between law and art.


1- How did you get into the art world? Everything happened in a very natural way. My life has always been entirely dedicated to study and work. I have been a Magistrate since I was 22 and I left home very early, taking on many attributions and responsibilities. I worked in several districts in the countryside of Bahia and, in one of them, when I was head of the Criminal Court of Simões Filho, I suffered a very traumatic experience of threat and had to be escorted by police officers for a few months. That was a watershed in my life. It gave me a picture of anxiety that opened my eyes to other possibilities. At the time, I was teaching at a graduate school and completing a Ph.D. in Criminal Law in Spain. I completely lost interest in working in this area. Then came the children and I was blessed with a little princess who has Down Syndrome. Her first year was pretty complicated. She had to undergo surgery on the duodenum, right after delivery and also at two months, to correct a defect in her heart. It was a situation that required a lot of care and caused a lot of concern. It is undeniable that all this context, added together, generated an emotional overload and led me to levels of anxiety that were out of the ordinary. I needed to look for activities that brought more lightness to my daily life and allowed me to go through these moments in a calmer way. That's when I decided to practice yoga, join meditation groups, take courses in sewing, painting and drawing. Little by little, the painting was gaining space, standing out and taking over my heart. People were enchanted by the works I was producing, they placed orders and things grew, without much planning. What was a hobby turned out to be a real passion and today I can't imagine myself without painting.


2- How did you develop your style? I believe my style is still in process. The fact that I don't make a living financially from art allows me to experience the new at all times. I feel very free and willing to work with various techniques and different supports, without many limitations. This question of style is a maturing process that takes time. As my painting activity is not full-time, I travel this path in a slower way, but very calmly and without charge. I'll paint what I feel like at the moment, whether figurative or abstract. Sometimes in oil, other times acrylic or simply delighting in watercolor abstracts, which is one of my great passions.


3- How is your creative process and what are your inspirations and references? Even though I feel very free in my creation process, I cannot deny that my greatest source of inspiration is the relationships between human beings and, in particular, women. I feel a deep admiration for the female universe, their relationships and their passions. Through some of my collections, I usually travel through different facets of women. The ELA collection, for example, portrays the mature woman, self-confident and fully aware of her power of seduction. The canvases that make up this collection are a true tribute to the inner strength that is present in every woman! They are strong canvases, which portray the woman's sensuality in a very genuine and delicate way. On the other hand, the ALEGRIA and BALÕES ENCANTADOS collections are the counterpoint. They translate a more puerile, sweet and naive version of the woman. Full of weaknesses and that will never do without affection and care.


4- What message do you want to convey with your art? My biggest objective is to be able to transmit a feeling of satisfaction, well-being and comfort to collectors who buy my works. Whether simply for the aesthetic factor of the work, or for the implicit message that touches, in a very particular way, the soul and heart of those who acquire them.


5- What is the main challenge you faced at the beginning of your career? I don't have any artistic training and I never intended to become an artist. As nothing was intentional and I never saw art as a real career, I think I never went through this moment of “career difficulties”. Painting is something I do for pure pleasure, without too many demands or pressures, and it ended up generating a lot of good results for me. In a very natural way, what was simple amateurism was leaving this space to occupy a still undefined place and I'm letting things happen. On the other hand, in terms of learning, my biggest challenge was starting from scratch, literally. I confess that I never had any “gift” or inclination for drawing or painting, but the feeling of well-being I had when I was in front of a canvas made me want to understand, study and practice as much as I could. So I entered right away and dove into this magical world. To be quite honest, I still feel like an apprentice and I face serious difficulties with drawing. To portray human figures for me is not an easy task, and I still take drawing classes today.


6- Do you think all art should be socially engaged? There are works that effectively bring an implicit social discourse and that aim to problematize certain social issues and provoke important questions. But it does not need to be, necessarily, this way. Art fulfills its role in different ways and its social engagement already exists only because it is art in a world and a society that do not prioritize this area, which is so relevant for the formation of the human intellect.


7- Did you manage to produce in the pandemic? Do you think the fact that we are secluded has brought creativity further? Yes, a lot. Especially in the first few months we were cooped up in our homes. Each one went through this moment in a different way, but without a doubt there were many accumulated emotions that needed to surface and nothing better than a blank canvas or other support to release those emotions. In my case, with the “She” collection, I believe that each woman painted at this time revealed our inner strength to deal with the unknown and face the difficulties and limitations of that most critical moment of the pandemic.


8- What is it like to reconcile your career as a judge with art? With the ownership of a court that has about 70,000 cases and with three children at home, I can say that it's an almost impossible mission (laughs). I can only paint in the few spare hours I have. On weekends I rarely go to the studio, as I prioritize the family. So, it's very difficult to reconcile. That's why my production is quite slow and when I receive orders I try to give a very elastic deadline for completion of the work. Art entered my life as a therapeutic activity, precisely to bring me peace and tranquility. That's why it always has to be a moment of pleasure. If there are pressures and demands in this area, it will completely lose its meaning for me.


9-What message do you leave for an aspirant? If there is true love in what you are doing, people will see it at some point. Perfection doesn't exist, do your part with a lot of love, and the universe takes care of the rest.


Know more:

www.amandajacobina.art

Instagram: @amandajacobina



About UP Time Art Gallery: Itinerant art gallery that brings together artists from Brazil and European countries to disseminate the best in the contemporary art scene. Founded by Marisa Melo, the art gallery reaches more than 30 countries around the world, because it works in digital format since its birth, presenting worldwide 3D exhibitions and face-to-face regional exhibitions with a team of distinguished artists.


About Marisa Melo: Graduated in Advertising and Marketing, Fashion and Photography. Specialist also in art criticism, Business Management, Art and Aesthetics and Graphic Design. Visual artist, consultant for artistic projects, producer of exhibitions, curator and writer of curatorial texts.

Our services: Virtual, national and international physical exhibitions, Art Fairs, Projects, Artist Catalog, Consulting for Artists, Coaching, Portfolio Building, Digital Positioning, Branding, Digital Marketing, Content Creation, Visual Identity, Biography, Critical Texts, Advisory Press, Interviews and Provocations.

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