• Marisa Melo

Entrevista com o artista visual Enoc

Atualizado: 25 de Ago de 2021

O trabalho da UP Time Art Gallery é inspirar e fascinar através da Arte. Nossos artistas apresentam trabalhos que retratam nossas emoções, nossas causas, nossas vidas. O público sempre quer conhecer o artista por trás da obra. Quem é, como pensa? Que história de vida levou a esse trabalho?


Hoje conversamos com Enoc!


Como você entrou para o mundo da arte?

A possibilidade de ser artista, chegou transformando a minha realidade, que aos 26 anos, ainda não havia encontrado sentido em viver aos moldes dessa sociedade.

Após um descuido, seguido de uma carta de demissão, resolvi experimentar o desenho e percebendo que tinha facilidade no aprendizado, decidi investir toda a minha energia para aprender e viver daquilo que veio preencher um espaço vazio, nunca antes tocado.

Após menos de um ano de estudos, fiz o meu primeiro evento como caricaturista e foi a partir daí que comecei a construir a minha vida.

Daí em diante, veio a aerografia, pintura digital, fotografia, pintura em acrílica e óleo, técnicas mistas e etc.



Qual a fonte de inspiração, para você?

Me inspira, a beleza da vida. A beleza que em tudo está.

O belo de uma paisagem ou o último suspiro de uma presa.

O cantar de uma criança ou o idoso dormindo na calçada.

O harmônico e belo, transmite a paz, mas o confuso e angustiante, traz a verdadeira transformação.

Em todo caos, há a centelha de uma nova vida.

Após uma degeneração, há um nascimento/renascimento.

Me inspira ver o velho chegar ao final do seu curso, pois naquele instante, algo de maravilhoso começa a acontecer.

Me inspira o ciclo de toda energia, que tem como destino certo a ressignificação.

Tudo, observado do ângulo ideal, transmite uma emoção que pulsa em direção ao sutil.



Quais são suas influências para o desenvolvimento de sua linguagem?

Um dos diversos ensinamentos trazidos por Wassily Kandinsky, foi que: À medida que nos distanciamos da forma, nos aproximamos da essência. Quando uma obra se liberta da necessidade de relacionar-se com algo que conhecemos, com algum objeto, forma ou lugar, ela ganha o poder de penetrar a alma e transmitir a mensagem que carrega, diretamente à essência de quem a contempla.

Jackson Pollock, coloca a emoção no controle do processo, portanto, o processo nunca está sob controle e nem precisa estar.

A escola impressionista possui uma riqueza imensa em sua forma de trabalhar as cores, dando ao seu aluno a liberdade de uma paleta infinita, porém, tenho também a opção de ignorá-la e aplicar o que já está pronto.

Goethe mostra que a arte e ciência estão diretamente ligados, trazendo novas possibilidades e pontos de vista, a cerca de uma criação.

Gerhard Richter, mistura um universo de possibilidades, sob uma nuvem cinza, onde somente quem se permite mergulhar em si, é capaz de se encontrar num emaranhado de estímulos.

Os jovens alunos da escola de belas artes, da Universidade Federal da Bahia, que me mostraram o que é deixar o coração explodir numa tela branca.

E muitos outros mestres em suas artes de expressar/comunicar.



Fale sobre seu processo criativo

Procuro inserir a textura em todo o meu trabalho.

Normalmente é por ela que inicio o processo, utilizando materiais que estejam no ambiente onde a produção está sendo realizada, podendo ser areia, massa acrílica, cola, madeira, folhas, gravetos, papelão, barro, caco de telha, pó de serra, lixo não-orgânico, pedras ou qualquer outro material que possa imprimir a energia daquele local.

Normalmente a textura e a pintura são feitas em momentos diferentes, mas há vezes que não são necessariamente assim.

Toda obra inicia de acordo com uma ideia, mas o seu desenvolvimento é orgânico, e a cada etapa do processo, ela reage à sua forma, me fazendo repensar sempre o próximo passo.

Meus trabalhos são vivos e eu estou sempre interagindo com eles, no decorrer da sua construção. É uma construção em parceria, onde as emoções e sentimentos estão sempre pulsando e a interação entre mim, a obra e o ambiente é constante.

O Sol e a chuva, sempre estão presentes no processo.

Se faz sol, o processo tem um ritmo acelerado. Se chove, a mistura se torna mais intensa e há mais transparência.

Em qualquer cenário, o final é sempre uma incógnita. Ele se apresenta no seu tempo ou nunca chega.

Diversas vezes a obra passa por um período de abandono, onde o tempo me faz revivê-la com outra energia. Algumas passam por esse período duas ou três vezes.

Nesse processo, vezes o mofo entra em ação e dá o seu toque à obra.

Algumas vezes, passam também por um processo de degeneração, onde entra em ação agressões com materiais perfurocortantes, abrasivos, fogo e etc.

Ao final, uma história se encontra impressa na obra e juntamente com ela, muito do meu Eu.

A produção, normalmente é feita ao som da natureza ou de Chopin, Bach, Mozart ou tambores xamânicos.

Mergulho em meus sentimentos e com os pés, mãos, espátulas, desempenadeiras, vassouras, rolos, esponjas, tecidos ou qualquer coisa que possa servir de instrumento e aplico toda aquela energia, no tecido estirado ou amassado, no chão ou na parede.

Após finalizado esses processos, chega o momento de vesti-la no chassi e dar os devidos acabamentos.


Qual mensagem está por trás de sua obra?

Em tudo, há luz.

Permita-se livrar das amarras dos estímulos externos e, olhando para dentro, encontrará a verdadeira beleza. A essência da vida.

O caminho está no autoconhecimento e esse, por sua vez, só é adquirido se fizermos uma viagem ao nosso interior mais profundo, encararmos nossos medos, sentirmos, vivenciarmos e voltarmos a emergir transformados, aptos a voar, com a opção de colocar os pés no chão.

Em todo decompor, há a chama de uma nova vida.

O planeta está passando por uma gigantesca transformação.

A tecnologia, a arte, a sociedade, a ciência, tudo está sofrendo uma drástica transformação. O núcleo do planeta Terra está em mutação. A nossa interação com o universo, está evoluindo a outro nível. Tudo o que conhecemos está mudando muito rápido e nós fazemos parte disso.

Quem se permitir abrir os olhos e o coração, mergulhar e ressurgir, trará importantes contribuições ao processo evolutivo do ser humano. Cada um de nós é um canal de transformação e uma gigantesca energia de mudança, já habita o nosso planeta. Basta que cada um de nós abra a sua porta para que ela se expanda em novas e diversas possibilidades.

Um ditado árabe diz que “A hora mais escura é a que precede a alvorada” e pelo cenário que estamos presenciando há alguns anos, de crise humanitária, crise econômica, crise sanitária, e todo um menu de crises que pairam em nosso planeta, sinaliza que essa alvorada é iminente.

Mergulhe em si, coloque o seu coração no comando e faça parte dessa transformação.

Existe algo chamado computação quântica, que está chegando juntamente com a inteligência artificial e uma nova consciência coletiva e na próxima década o mundo e a sociedade terá se transformado em algo que ainda não conseguimos imaginar. Mas isso já é uma realidade.

"No cume calmo do meu olho que vê, assenta a sombra sonora de um disco voador" (Raul Seixas).



Como você vê o momento cultural nos dias de hoje? A arte cumpre com seu papel de refletir a sociedade?

Desde antes do homem que conhecemos existir, há 2.500.000 anos, a arte reflete a sociedade e a ajuda em seu desenvolvimento.

Arte e tecnologia estão separadas por uma linha tênue, que talvez seja vista apenas quando estamos em estado contemplativo.

A construção de uma nova ideia é uma essência da arte, e seja ela em forma de pintura, escultura, música ou o que chamamos de tecnologia, ela sempre reflete a sociedade que a constrói.

O que chamam de pré-história, nada mais é que a história contada exclusivamente pelos artistas.

A arte guarda na memória, se o povo foi livre, guerreiro, contemplativo, estudioso, oprimido e neste momento, ela está armazenando em seus arquivos, a história de um povo que está em busca da liberdade. Liberdade essa que inclui romper todos os padrões e experimentar uma catarse. O mais belo é que após a catarse, saímos renovados. Após a degradação dos padrões, arde a centelha de uma nova vida e estamos vivenciando uma era de grande transformação.



Quais são os principais desafios que você enfrenta como artista?

Não piscar os olhos, para não perder as possibilidades que se apresentam.



Saiba mais:

Instagram: @enoc_art





Sobre a UP Time Art Gallery:

Galeria de arte itinerante que reúne artistas do Brasil e de países da Europa para disseminar o que há de melhor no cenário da arte contemporânea. Fundada por Marisa Melo, a galeria de arte alcança mais de 30 países ao redor do mundo, isso porque ela funciona em formato digital desde o seu nascimento, apresentando mundialmente exposições 3D e exposições regionais presenciais com um time de artistas distintos.


Sobre Marisa Melo:

Formada em Propaganda e Marketing, Moda e Fotografia. Especialista também em crítica de arte, Gestão de Negócios, Arte e Estética e Design Gráfico. Artista Visual, consultora de projetos Artísticos, produtora de mostras, curadora e redatora de textos curatoriais.


Nossos serviços:

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