Entrevista com a artista La Loba Dardis

Atualizado: 4 de mar.

O trabalho da UP Time Art Gallery é inspirar e fascinar através da Arte. Nossos artistas apresentam trabalhos que retratam nossas emoções, nossas causas, nossas vidas. O público sempre quer conhecer o artista por trás da obra. Quem é, como pensa? Que história de vida levou a esse trabalho?


Hoje conosco, La Loba Dardis!




1. Conte como se tornou artista visual?

Desde pequena tive contato com a arte, influenciada pela minha vó paterna que pintava, desenhava e fazia papel machê/esculturas. Meu pai e minha mãe também me influenciaram; minha mãe na parte do artesanato, scrap book e música, e meu pai com desenhos e musica.

Sempre gostei de desenhar, acho que parte de mim sempre se expressou com a arte. Conforme fui crescendo, comecei ir para novos caminhos; música, que por causa do meu pai virei baterista, fiz shows com à minha banda e através de desenhos fui para o caminho da tatuagem. Além disso, fiz à mesma faculdade que meus pais fizeram, hoje estou no quinto semestre, cursando artes visuais no centro Universitário Belas artes de São Paulo, e percebi que eu de fato cresci como artista nessa pandemia, onde aprendi pintura e me encontrei.


2. Como desenvolveu seu estilo e como é o seu processo criativo?

Meu estilo ainda está em transição.

comecei a descobrir meu estilo através da tatuagem e arte de rua, desde pequena gostei de grafite, inclusive fiz alguns, assim herdei muito de street art e arte urbana. Em algumas pinturas minhas, porém conforme fui estudando arte, me apaixonei pelo abstracionismo e texturas. Hoje de fato não sei usar uma só palavra para descrever o meu trabalho, mas creio que seja uma mistura do abstrato com arte urbana, arte contemporânea e arte surrealista.

Meu processo criativo é momentâneo, estou sempre pesquisando e estudando, buscando novas inspirações.

Eu geralmente crio ideias e depois as transfiro para a tela. Minhas pinturas são o reflexo da minha mente, cada uma das obras têm um significado e mudam conforme o tempo.





3. Quais são suas referências?

Minha principal referencia hoje é minha avó paterna, sempre gostei muito das pinturas dela e sempre que faço algo novo ela é uma das primeiras a ver. Outras referencias que tenho são; Jimbo Philips, Ann Golumbuk, Nathan Padd, Kolosova Daria, entre outros.


4. Qual mensagem você passa com sua arte?

Por eu ter estilos variados, vou desde mensagens concretas até o abstrato, acredito que minhas obras têm mensagens muito profundas, como temas; renascer, amor, como o Bleeding Rose, ou o Revolution, que para mim significa transbordar cores em um meio de escuridão, florescer, ou seja seria uma revolução, quase uma critica social sobre a sociedade hoje. Já meus abstratos, procuro usar texturas e cores fortes, neons e chamativas. No geral minhas obras refletem as coisas que mais prezo, como igualdade, respeito entre outras.


5. Você acha que o fato de você também ser tatuadora, ajuda na composição de sua pintura?

Sim, com certeza. O motivo de eu ter virado tatuadora foi por que eu acredito que a arte salva, não tem nada mais satisfatório do que fazer um desenho para uma pessoa e saber que para nós artistas pode ser só um simples desenho, mas para a pessoa tem um significado imenso e isso meche tanto com o emocional, tanto com a autoestima. Por causa disso, eu com a minha arte tento fazer o mesmo, não só com os significados e mensagens, mas também pelas técnicas e estilos.

A tatuagem moldou um pouco do meu estilo, da artista dentro de mim, do meu jeito de me expressar, também na parte de cores, quanto linhas, perspectivas e assim por diante.


“Neon Pink”, 60 x80 cm, tinta neon acrílica, tinta acrílica e massa corrida.



6. Nós sabemos que a arte tem, por uma de suas metas, refletir o contexto social de sua época. Como ela se caracteriza nos tempos atuais e o que estaria refletindo sobre o mundo em que vivemos?

Eu acredito que o contexto social, geralmente as partes ruins do tempo que uma população vive ou viveu, interferem e ao mesmo tempo influenciam muito nós artistas.

Eu sempre tive um grande problema dentro de mim, sempre me incomodou muito, desde pequena as diferenças e preconceitos, por exemplo; eu nunca gostei de estereótipos, ou senso comum, ou o porque que mulher tem que usar rosa e homens azul, ou o porque que quando um casal lgbt passava na rua as pessoas ao redor tinham ações desagradáveis, ou o porque a questão da cor da pele interfere tanto no mundo, ou o peso de ser uma mulher em um mundo machista e assim por diante.

Então, eu cresci aprendendo a ver o mundo com meus próprios olhos, acho que foi ai que a arte de rua me influenciou tanto. Eu nunca consegui guardar esses sentimentos dentro de mim, quando algo me incomodava eu falava, e acho que a arte é assim, não só para mim, mas para todos artistas.

Nas minhas obras por exemplo, eu nunca de fato planejei a obra e ela resultou do jeito que eu queria, sempre foi um processo. Como a obra “Revolution”, eu fui chamada para pintar ao vivo em uma galeria LGBTQ+, foi onde eu pintei com tinta a óleo duas mãos, onde eu fiz uma releitura da obra “Criação de Adão” do Michelangelo, e depois pintei tintas escorrendo das mãos, porém, à direita era colorido com as cores da bandeira e a esquerda era quase toda preta com uma leve cor na ponta do dedo. Quando eu finalmente acabei a obra, foi onde eu percebi o tamanho do significado que ela tinha, pois desde a antiguidade, as diferentes culturas ensinam o “certo” e o errado”, o “preto”e o “branco” e a vida de fato não é assim. Então, acredito que essas questões fazem a poética nos tempos atuais.


7. O que você acha que é preciso para compor uma grande obra?

Para compor uma grande obra, eu acredito que é necessário um leve planejamento, ideias e criatividade, confiar no processo e deixar às coisas fluírem. Geralmente, eu faço um planejamento básico, tenho uma primeira ideia do que quero fazer, quando começo o processo, novas coisas vão surgindo e muitas vezes não saem de fato como o planejado, e muitas vezes os resultados surpreendem, acredito que o processo faz da obra, uma obra grande.





“Red” - Óleo sobre tela, massa corrida, papelão, cola e verniz.


8. Quais são os pintores que lhe inspiram?

Os pintores que me inspiram são Frida Kahlo, Michelangelo, Salvador Dali, Van Gohg, Samuel Saboia, Benat, entre outros.


9. Qual obra sua você destacaria como um marco em sua vida artística?

Uma obra minha que eu destacaria como um marco na minha vida, seria “Revolution”, pois além de ter um significado muito grande, tanto pra mim quanto para as pessoas, foi a primeira obra em que eu pintei ao vivo, foi a primeira obra grande que eu fiz, foi quando eu me apaixonei pela pintura e foi quando a minha família também me reconheceu como artista, então ela é extremamente importante.



“Revolution” - óleo sobre tela, spray, tinta acrílica e massa corrida.



Sobre a UP Time Art Gallery:


Galeria de arte itinerante que reúne artistas do Brasil e de países da Europa para disseminar o que há de melhor no cenário da arte contemporânea. Fundada por Marisa Melo, a galeria de arte alcança mais de 30 países ao redor do mundo, isso porque ela funciona em formato digital desde o seu nascimento, apresentando mundialmente exposições 3D e exposições regionais presenciais com um time de artistas distintos.

Sobre Marisa Melo:


Formada em Propaganda e Marketing, Moda e Fotografia. Especialista também em crítica de arte, Gestão de Negócios, Arte e Estética e Design Gráfico. Artista Visual, certificação em Liderança pela PUC, consultora de projetos Artísticos, produtora de mostras, curadora e redatora de textos curatoriais.

Nossos serviços:

Exposições virtuais, físicas nacionais e Internacionais, Feiras de Arte, Projetos, Catálogo do Artista, Consultoria para Artistas, Coaching, Construção de Portfólio, Posicionamento Digital, Branding, Marketing Digital, Criação de Conteúdo, Identidade Visual, Biografia, Textos Crítico , Assessoria de Imprensa, Entrevistas e Provocações.



“Bleeding Rose” - Óleo sobre tela, canetinha metalizada




The UP Time Art Gallery's job is to inspire and fascinate through art. Our artists present works that portray our emotions, our causes, our lives. The public always wants to know the artist behind the work. Who is it, how do you think? What life story led to this work.


Today with us, La Loba Dardis!


1. How you became a visual artist? Since I was little I had contact with art, influenced by my paternal grandmother who painted, drew and made papier-mâché/sculptures. My father and mother also influenced me; my mother in the craft, scrapbook and music, and my father with drawings and music. I've always liked to draw, I think part of me has always expressed itself through art. As I grew up, I started to go down new paths; music, because of my father I became a drummer, I did shows with my band and through drawings I went on the path of tattooing. In addition, I attended the same college as my parents, today I am in the fifth semester, studying visual arts at the Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, and I realized that I actually grew up as an artist in this pandemic, where I learned painting and found myself.


2. How did you develop your style and what is your creative process like? My style is still in transition. I started to discover my style through tattooing and street art, since I was little I liked graffiti, I even made some, so I inherited a lot of street art and urban art. In some of my paintings, however, as I studied art, I fell in love with abstractionism and textures. Today I really don't know how to use a single word to describe my work, but I believe it is a mixture of abstract with urban art, contemporary art and surrealist art. My creative process is momentary, I'm always researching and studying, looking for new inspirations. I usually create ideas and then transfer them to the canvas. My paintings are a reflection of my mind, each of the works has a meaning and changes over time.


3. What are your references? My main reference today is my paternal grandmother, I always liked her paintings a lot and whenever I do something new she is one of the first to see it. Other references I have are; Jimbo Philips, Ann Golumbuk, Nathan Padd, Kolosova Daria, among others.


4. What message do you send with your art? Because I have different styles, ranging from concrete messages to the abstract, I believe that my works have very deep messages, such as themes; reborn, love, like Bleeding Rose, or Revolution, which for me means overflowing colors in a dark environment, blooming, that is, it would be a revolution, almost a social critique of society today. As for my abstracts, I try to use strong, neon and flashy textures and colors. In general, my works reflect the things I value most, such as equality, respect, among others.


5. Do you think that the fact that you are also a tattoo artist helps in the composition of your painting? Yes for sure. The reason I became a tattoo artist was because I believe that art saves, there is nothing more satisfying than making a drawing for a person and knowing that for us artists it can be just a simple drawing, but for the person it has a meaning immense and that messes with the emotional, so much with the self-esteem. Because of that, I try to do the same with my art, not only with meanings and messages, but also with techniques and styles. The tattoo shaped a little of my style, the artist inside me, my way of expressing myself, also in terms of colors, lines, perspectives and so on.


6. We know that art has, as one of its goals, to reflect the social context of its time. How is it characterized nowadays and what would it be reflecting on the world we live in? I believe that the social context, generally the bad parts of the time that a population lives or has lived, interfere and at the same time influence us artists a lot. I always had a big problem inside me, it always bothered me a lot, since I was little, differences and prejudices, for example; I never liked stereotypes, or common sense, or why women have to wear pink and men blue, or why when an lgbt couple passed on the street people around them had unpleasant actions, or why the color issue skin interferes so much with the world, or the weight of being a woman in a sexist world and so on. So, I grew up learning to see the world with my own eyes, I think that's where street art influenced me so much. I was never able to keep these feelings inside me, when something bothered me I spoke, and I think that art is like that, not only for me, but for all artists. In my works, for example, I never really planned the work and it turned out the way I wanted, it was always a process. As the work “Revolution”, I was called to paint live in an LGBTQ+ gallery, that's where I painted with two hands oil paint, where I did a reinterpretation of Michelangelo's work “Creation of Adam”, and then I painted dripping paints. of the hands, however, the right one was colored with the colors of the flag and the left one was mostly black with a light color on the fingertip. When I finally finished the work, that's where I realized the size of the meaning it had, because since antiquity, different cultures teach "right" and wrong, "black" and "white" and the life of fact is not so. So, I believe that these questions make poetics today.


7. What do you think it takes to compose a great work? To compose a great work, I believe that it takes a little planning, ideas and creativity, trusting the process and letting things flow. Generally, I make a basic plan, I have a first idea of ​​what I want to do, when I start the process, new things come up and many times they do not actually go as planned, and many times the results are surprising , I believe that the process makes the work, great work.


8. Which painters inspire you? The painters that inspire me are Frida Kahlo, Michelangelo, Salvador Dali, Van Gohg, Samuel Saboia, Benat, among others.


9. Which work of yours would you highlight as a milestone in your artistic life? A work of mine that I would highlight as a milestone in my life would be “Revolution”, because in addition to having a great meaning, both for me and for people, it was the first work in which I painted live, it was the first work great thing I did, that's when I fell in love with painting and that's when my family also recognized me as an artist, so it's extremely important.




About UP Time Art Gallery: Itinerant art gallery that brings together artists from Brazil and European countries to disseminate the best in the contemporary art scene. Founded by Marisa Melo, the art gallery reaches more than 30 countries around the world, because it works in digital format since its birth, presenting worldwide 3D exhibitions and face-to-face regional exhibitions with a team of distinguished artists.



About Marisa Melo: Graduated in Advertising and Marketing, Fashion and Photography. Specialist also in art criticism, Business Management, Art and Aesthetics and Graphic Design. Visual artist, consultant for artistic projects, producer of exhibitions, curator and writer of curatorial texts.



Our services: Virtual, national and international physical exhibitions, Art Fairs, Projects, Artist Catalog, Consulting for Artists, Coaching, Portfolio Building, Digital Positioning, Branding, Digital Marketing, Content Creation, Visual Identity, Biography, Critical Texts, Advisory Press, Interviews and Provocations.

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