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ENTREVISTA - Julia Dalcastagné: Trajetória de Uma Artista Multifacetada

Atualizado: 27 de dez. de 2023



O trabalho da UP Time Art Gallery é inspirar e fascinar através da Arte. Nossos artistas apresentam trabalhos que retratam nossas emoções, nossas causas, nossas vidas. O público sempre quer conhecer o artista por trás da obra. Quem é, como pensa? Que história de vida levou a esse trabalho?

Hoje conosco, Julia Dalcastagne!


Julia Dalcastagné, brasileira, nascida em Florianópolis, o seu trabalho é fortemente influenciado por cartoons, animes, super-heróis, desenhos animados e histórias em quadrinhos.

Desde a infância, Julia foi cativada por uma estética que mescla o sombrio e o colorido com um toque de humor. Essa apreciação pelo humor se intensificou quando, aos 12 anos, morou em Londres por um ano com sua família. Durante esse período, ela se conectou profundamente com o humor inglês, conhecido por sua natureza ácida e uma combinação de tragédia e comédia.

Retornando ao Brasil, Julia ingressou no curso de Artes Visuais na Universidade Estadual de Santa Catarina, onde refinou sua expressão poética e visual.

Posteriormente, avançou em seus estudos na Scuola Mohole em Milão, Itália, especializando-se em ilustração e histórias em quadrinhos. Durante esse tempo, enriqueceu sua formação com cursos adicionais em caligrafia, criação de roteiros e modelagem em Polymer Clay.






Julia Dalcastagne_foto divulgação





1- Como você começou no universo da arte? Houve algum momento específico na sua vida que despertou seu interesse na arte visual?


Eu sempre gostei de desenhar e de arte num geral. Durante toda a minha infância e um pouco da adolescência eu me dediquei a copiar personagens que gostava, fotos de pessoas com luz e sombra realistas, composição de objetos, de natureza morta etc..


Quando tinha uns 13 anos eu voltei para o Brasil depois de uma estadia de um ano em Londres, com meus pais. Para não perder o contato com o inglês meus pais me colocaram em uma aula particular com uma professora que não só mantinha meu inglês, mas também incentivava muito meu lado criativo. Eu já gostava muito de ler, já tinha visitado vários museus de arte na europa, assitia muitos filmes, era obcecada com música... mas foi com o incentivo dessa professora que comecei a juntar toda a minha bagagem cultural para me expressar. Toda aula tinha algum aspecto artístico envolvido. Por estar tentando me adaptar novamente com os amigos, matérias do colégio, estar na adolescência entre outras coisas, eu me sentia perdida e com emoções afloradas constantemente. Essas aulas de inglês me ajudavam a por essas emoções para fora de uma forma artística, fazendo ilustrações de músicas, escrevendo poemas, textos, coisas do tipo.


Foi então que lá pelos 15 anos, eu comecei a criar minhas próprias composições, com meus próprios personagens e senti que estava desenvolvendo uma visão própria, uma forma de expressar meus pensamentos, e por conta disso surgiu em mim uma conexão diferente com artes visuais. Isso fez nascer em mim um novo olhar sobre artes visuais.




2- Qual é o processo criativo por trás de suas obras? Como você escolhe os temas e as técnicas que utiliza em suas criações?


Eu sempre gostei de explorar temas relacionados a experiências e sensações peculiares da vida cotidiana. Gosto daqueles pensamentos involuntários como sentimentos de rejeição e agonia que muitas vezes são escondidos ou saem em atitudes automáticas. Gosto do contraste entre pensamentos crus e atitudes automáticas que buscam constantemente mascarar esses pensamentos genuínos.


Apesar disso, gosto também de escolher temas que estão relacionados a reflexões minhas no momento que estou vivendo. Isso é em geral ativado por músicas, livros e filmes e por isso eles estão presentes muitas vezes inclusive no título das obras.


Começo então a fazer alguns esboços em lápis e papel para enquadrar os elementos da composição, para que a ideia seja passada da forma mais interessante possível.


Depois, tudo fica mais intuitivo e emocional. Eu não costumo ter cores pré-definidas. Gosto de escolher as cores a medida que a obra vai evoluindo. Por conta disso muitas vezes muitas vezes são adicionados detalhes ou até mesmo modificações maiores por não achar que algo esteja comunicando bem ou que a obra esta pedindo algo diferente. É um processo razoavelmente imprevisível apesar de se ter um esboço pré-feito.




Colors of the Wind (Não disponínel para venda) Óleo sobre Tela_ Ano: 2020 - 50 x 70 cm






3- Quais são as principais influências artísticas que moldaram o seu trabalho?


Meus trabalhos tem grande influência dos anos 90. Era uma época em que havia uma abertura cultural muito grande, e tudo se misturava. Cartoons, Animes, Desenhos Animados, Gibis e Livros de Literatura se entrelaçavam bastante nas minhas vivências e por isso estão sempre presentes no meu trabalho.


Em termos de estética visual, minhas maiores influências são Tim Burton, Camille Rose Garcia, Ayami Kojima, Yoshitomo Nara, Margaret Keane e Salvador Dalí. Nos meus trabalhos eu gosto muito de explorar o “ feio porém bonito” com cores vibrantes e muito preto criando uma agressividade amistosa influenciada por algumas dessas minhas referências como Ayami Kojima, Tim Burton e Camille Rose Garcia. Já as linhas por terem uma estética próxima a ilustração, dão uma visão mais infantilizada e crua que tem um pouco de influênca do Yoshitomo Nara.


Já nas composições emocionais e climáticas da imagem me inspiro muito em Edgar Allan Poe, Hans Christian Andersen e Eça de Queiroz entre outros. Eça de Queiroz entre outros autores do gênero realista aparecem nas minhas obras nos discursos reflexivos e nos rostos semi-realistas que dão um ponto de referência da realidade.



4- Como a sua arte se relaciona com questões sociais, políticas e culturais do mundo contemporâneo?


Eu gosto de pensar que minhas obras invocam uma espécie de pensamentos reflexivos com o intuito do autoconhecimento e do ser humano de forma geral. Apesar de gostar muito de obras como “Los Caprichos” de Goya, que critíca a sociedade de uma época (e local) com sarcasmo e genuinidade, os meus trabalhos não são feitos com intuitos sociais e políticos.


Eu procuro explorar assuntos que causem reflexões que não sejam especificos de classes sociais, ou até de localidade para serem entendidos. Eu gosto de pensar que minhas obras causam diálogo sobre a vida humana, já que elas não são lineares nem objetivas, e estão abertas a interpretação.


Sobre as questões culturais, eu acho que por eu ter morado fora algumas vezes, meus pais não serem da cidade em que nasci, e pela minha criação ser repleta de diferentes culturas, criou em mim uma falta de localidade mas ao mesmo com uma postura aberta a absorção e apreciação das inúmeras culturas, não só do Brasil, mas do mundo todo, e isso reflete muito na minha arte. Além disso, essa mistura sem muitas fronteiras com influência de outras culturas é um aspecto muito vivo e presente no mundo contemporâneo. Acho que é assim que minha arte se relaciona com o mundo atual.






Vulnerable Adult_ Óleo sobre Tela - 50 x 50 cm/ 2023





5- Como você lida com a crítica e com a recepção do público em relação ao seu trabalho?


Eu sempre tento lidar com a crítica de cabeça aberta para tentar notar quando a crítica é algo que pode ser construtivo, se é a desaprovação de alguém que não gostou ou não se identificou com o meu trabalho ou se é algo a se desconsiderar. Apesar de pensar assim é bastante dificil as vezes separar as coisas e não levar um pouco para o pessoal, já que meu trabalho esta fortemente ligado aos meus pensamentos.

Já quando o trabalho é bem aceito, principalmente quando se diz respeito ao público, prar mim vira uma forma de cumplicidade muito intensa e feliz. Seja pela estética ou pelo discurso, é muito bom sentir que temos algo em comum com outras pessoas.




6- Quais são seus projetos futuros na arte? Há alguma técnica ou tema que você gostaria de explorar em suas próximas obras?



No momento estou focada em continuar produzindo e desenvolvendo a minha estética, e continuar compartilhando a minha arte para o maior número de pessoas possível. Além disso penso em talvez abordar temas mais positivos e com mais humor.





Saiba mais sobre a artista:

Instagram: @jdalcastagne.art




Family Portrait_Pintura Digital - 2019







Problem Child_Óleo sobre Tela - 70 x 50 cm/2021




Parasite Lady_ Óleo sobre Tela - 80 x 50 cm/ 2021




Dark Wings Aviator_Pintura Digital/2019







Sobre a UP Time Art Gallery:


Galeria de arte itinerante que reúne artistas do Brasil e de países da Europa para disseminar o que há de melhor no cenário da arte contemporânea. Fundada por Marisa Melo, a galeria de arte alcança mais de 30 países ao redor do mundo, isso porque ela funciona de forma itinerante desde o seu nascimento, apresentando mundialmente exposições 3D e exposições regionais e internacionais presenciais com um time de artistas distintos.


Nossos serviços:

Exposições virtuais, físicas nacionais e Internacionais, Feiras de Arte, Projetos, Catálogo de Arte, Construção de Portfólio, Pod Cast, Biografia, Textos Crítico, Assessoria de Imprensa, Entrevistas e Provocações.





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