top of page

Marisa Melo entrevista Andrea Mariano: percurso, mercado e a construção de uma carreira internacional

  • Foto do escritor: Marisa Melo
    Marisa Melo
  • 25 de set. de 2023
  • 8 min de leitura

Uma conversa sobre tempo, escolhas e amadurecimento profissional, na qual Andrea Mariano reflete sobre a construção de sua trajetória, o entendimento do mercado de arte, a importância da orientação curatorial e os caminhos que a levaram a atuar no cenário internacional e no ambiente virtual.


Andrea Mariana
Andrea Mariana

Na pintura contemporânea brasileira, Andrea Mariano vem consolidando uma produção marcada pelo retrato e pela reorganização de referências culturais em uma linguagem visual direta. Artista visual autodidata, com formação acadêmica em áreas como Direito, Marketing, Enfermagem e Administração Hospitalar, Andrea construiu um percurso, sustentado por pesquisa e por uma relação clara com a comunicação da imagem. Integrante da Academia de Letras de Princesa, na Paraíba, ela transita com naturalidade entre o campo visual e o pensamento cultural que alimenta sua produção.


Atualmente, sua pesquisa se concentra no retrato neo pop, série na qual figuras da história da arte, da música e da cultura popular ganham novas leituras cromáticas e formais. Personagens como Mozart, Dalí, Elvis, Tarsila do Amaral e Luiz Gonzaga aparecem filtrados por seu imaginário cultural, em composições que privilegiam impacto visual, síntese e reconhecimento imediato, sem compromisso com a representação literal.


Além desse conjunto, Andrea desenvolve projetos com recorte social, como Olhares, no qual volta sua atenção para a condição das mulheres em contextos de guerra, a exemplo da Ucrânia. Nesse trabalho, o retrato funciona como meio de reflexão, mantendo uma abordagem direta e humana, sem recorrer ao apelo dramático.


Nesta entrevista, Andrea Mariano fala sobre seu percurso, suas escolhas visuais, referências e sobre o lugar do retrato em sua produção atual, revelando uma artista atenta ao tempo e à circulação de imagens na cultura contemporânea.



De que maneira a Paraíba participa da construção da sua identidade como artista e da sua trajetória profissional?


Ser uma artista paraibana é uma experiência de responsabilidade. A Paraíba é um estado marcado por uma riqueza cultural muito própria, e esse repertório influencia diretamente a forma como penso e produzo minhas obras. Existe uma identidade forte, construída a partir da tradição, do cotidiano e das pessoas, que acaba se refletindo naturalmente no meu trabalho.

Representar a Paraíba é motivo de orgulho, mas também de compromisso. É uma maneira de contribuir para a valorização da nossa cultura e para o fortalecimento dessa identidade. O contato com o folclore, as festas populares, a música, a culinária e outros elementos que fazem parte da nossa história alimenta minha produção e mantém vivo o vínculo com minhas origens.


Como você descreve o processo de criação da sua arte e o que ela representa para você?


A Paraíba está muito presente no meu trabalho. É um lugar com grande repertório, cheio de referências visuais, culturais e humanas. Tudo isso acaba entrando na pintura, mesmo quando o tema não é diretamente regional. As cores, o ritmo, a forma de olhar para as pessoas e para as imagens vêm desse contato constante com a cultura local.


É um estado que oferece matéria para criar o tempo todo. O folclore, as festas, a música, o cotidiano, os gestos simples, tudo alimenta meu processo. A pintura nasce desse acúmulo de referências e da relação afetiva que tenho com a Paraíba, que acaba orientando minhas escolhas visuais de forma muito natural.




Coleção Neo Pop dos Clássicos - Salvador Dalí_2022
Coleção Neo Pop dos Clássicos - Salvador Dalí_2022

A exposição realizada em São Paulo, pela galeria UP Time, marcou um momento importante da sua trajetória. Como foi o processo de seleção do acervo e qual foi a repercussão da mostra?


A exposição em São Paulo foi um processo muito bem conduzido desde o início. A seleção do acervo aconteceu de forma cuidadosa, pensando na qualidade das obras, na diversidade dos personagens e na coerência do conjunto. A ideia era construir uma leitura clara do meu trabalho naquele momento, sem excessos, mas com força visual e unidade.


Trabalhar com a Marisa Melo foi fundamental para isso. Existe um acompanhamento muito próximo, organizado e profissional, que permite ao artista se concentrar na produção. Todo o entorno da exposição, comunicação, divulgação, montagem e relação com o público, foi tratado com atenção aos detalhes, o que faz diferença no resultado final.


A repercussão foi bastante positiva. Recebi muitos retornos do público e de pessoas do meio, destacando tanto as obras quanto a forma como a exposição foi apresentada. Foi uma experiência importante em São Paulo e um passo relevante dentro da minha trajetória, reforçando o diálogo do meu trabalho com um público mais amplo.



Como foi desenvolvido o conjunto da mostra apresentada em São Paulo?


Até esse projeto, meu trabalho estava muito ligado ao realismo. A proposta da exposição em São Paulo surgiu justamente a partir de uma conversa e de uma orientação da Marisa, que me incentivou a experimentar um novo caminho dentro da pintura. A ideia era soltar mais o traço, trabalhar com cores mais intensas e trazer uma energia diferente para as obras.


Esse movimento abriu espaço para uma pintura mais fluida, vibrante e com certo humor. Pensamos juntas em manter uma paleta forte, com cores solares, que dialogassem com o sertão da Paraíba, com o calor, e o imaginário popular. As referências culturais do estado estiveram presentes desde o início, ajudando a dar identidade ao conjunto.


O resultado foi uma série mais leve, divertida e direta. Esse projeto marcou um momento importante de transformação no meu trabalho, mostrando que a pintura pode se renovar sem perder suas raízes.



Em um mundo marcado por transformações voláteis e conflitos sociais, que papel a arte ocupa hoje e o que ela tem refletido sobre o nosso tempo?


A arte hoje acompanha o ritmo do mundo. Ela reflete um tempo intenso, cheio de informações e conflitos, mas também de desejo por diálogo e entendimento. Muitos artistas acabam reagindo a esse cenário quase de forma natural, trazendo para o trabalho aquilo que está no ar, nas conversas e nas inquietações do cotidiano.


A arte tem a capacidade de tratar assuntos difíceis de maneira mais direta e sensível. Ela alcança as pessoas por outros caminhos, desperta, provoca, e abre espaço para conversas que nem sempre acontecem de forma objetiva.


Também vejo a arte como uma forma de posicionamento. Ela pode questionar, incomodar e apontar caminhos, mesmo sem oferecer respostas prontas. É uma maneira de participar do mundo e de refletir sobre ele a partir da imagem e da criação.




Série "Olhares"_2021 - Projeto sobre a guerra na Ucrânia
Série "Olhares"_2021 - Projeto sobre a guerra na Ucrânia




Série "Olhares"_2021 - Projeto sobre a guerra na Ucrânia
Série "Olhares"_2021 - Projeto sobre a guerra na Ucrânia




Série "Olhares"_2021 - Projeto sobre a guerra na Ucrânia
Série "Olhares"_2021 - Projeto sobre a guerra na Ucrânia

Como se dá o seu processo criativo?


O meu processo criativo é fluido e se adapta conforme a natureza do projeto. Costumo começar com uma ideia ou conceito, algo que desperte em mim um pensamento. A partir daí, me envolvo em uma pesquisa detalhada, seja visual, histórica ou filosófica, dependendo da direção que o trabalho tomar.


Após essa imersão, começo a reunir referências e a desenvolver esboços, permitindo que a ideia se organize e se concretize. Experimentos com diferentes materiais e técnicas fazem parte desse processo, busco constantemente o melhor meio para traduzir a minha visão. Essa fase de exploração me permite descobrir novos caminhos e possibilidades que podem enriquecer a obra.


O processo de refinamento é constante. Revisei o trabalho em diversas etapas, ajustando detalhes, adicionando ou retirando elementos até sentir que a obra atingiu a intenção inicial. Esse ciclo de avaliação e modificação é essencial para que o resultado final seja uma expressão verdadeira da ideia que iniciei.



O que é preciso para compor uma grande obra?


Compor uma grande obra pode ser um processo desafiador. É necessário ter uma ideia original e interessante, ter habilidades técnicas para aprimorar a escrita e revisá-la, bem como dedicar tempo e esforço para desenvolver a história e os personagens.

Além disso, é importante ter conhecimento sobre o gênero em que você está escrevendo, pesquisar sobre o assunto e se inspirar em outros autores bem-sucedidos. A leitura também é fundamental para aprimorar o vocabulário e fortalecer a narrativa.

E, claro, é fundamental ter paixão pelo que se está criando.



Como foi para você construir uma carreira internacional?


Construir uma carreira internacional foi um processo longo, que exigiu tempo, ajustes e amadurecimento. No início, como acontece com muitos artistas, eu não tinha dimensão da complexidade do sistema da arte. Existe uma ideia recorrente de que pintar bem é suficiente, mas o mercado funciona a partir de outras camadas que só se revelam com experiência e orientação.


Passei muitos anos tentando sozinha, produzindo, expondo pontualmente, sem compreender por que certos avanços não se consolidavam. Foi apenas quando comecei a entender a importância de organizar o trabalho, construir coerência entre as obras, definir identidade e desenvolver uma poética clara que o percurso ganhou outra consistência. Conhecer o mercado, suas dinâmicas, exigências e leituras, foi um divisor de águas.


Esse entendimento se aprofundou quando passei a trabalhar com uma curadora. A orientação da Marisa foi fundamental para estruturar a produção, alinhar discurso e imagem, e pensar a obra de forma estratégica. A partir daí, aprendi a me posicionar com mais clareza, a criar séries com segurança e a apresentar meu trabalho de maneira mais consciente. O resultado foi a abertura de caminhos internacionais, chegando a países que eu jamais imaginava, não como acaso, mas como consequência de um trabalho organizado, maduro e bem direcionado.






Coleção "Neo Pop dos Clássicos"_2022



Qual sua visão sobre a inclusão das artes no universo virtual em expansão?


Vejo a inclusão das artes no universo virtual como uma ampliação real de atuação do artista, não como substituição da experiência física, mas como um desdobramento do nosso tempo. O ambiente digital abriu possibilidades de circulação, diálogo e acesso que antes eram restritas a poucos espaços e a públicos muito específicos. Hoje, uma obra pode ser vista, discutida e contextualizada a partir de diferentes lugares do mundo, quase ao mesmo tempo.


Para mim, o virtual exige responsabilidade e critério. Não se trata apenas de expor imagens, mas de entender como o trabalho é apresentado, mediado e lido nesse ambiente. Quando bem estruturado, com curadoria e narrativa coerentes, o espaço digital fortalece a obra, amplia seu alcance e cria novas formas de relação com o público.


Também acredito que o universo virtual contribui para uma relação mais direta entre artista, curadores, colecionadores e instituições. Ele acelera encontros, encurta distâncias e torna o sistema mais permeável. Desde que usado com cuidado, o digital não empobrece a arte, ao contrário, oferece leitura e consolida caminhos.



Qual mensagem você deixa para o artista que está começando?


Para os artistas plásticos que estão começando, eu gostaria de deixar uma mensagem de encorajamento e inspiração. Sabemos que o início de qualquer carreira pode ser desafiador, mas o mundo da arte é especialmente competitivo e pode parecer difícil se destacar em meio a uma multidão de talentos. No entanto, é importante lembrar que cada artista tem sua própria voz e sua própria visão do mundo, e é isso que torna a arte tão fascinante e valiosa. Minha mensagem é: acreditem em si mesmos, encontrem sua voz e expressem sua visão de maneira autêntica e sincera. Não tenham medo de experimentar novas técnicas e estilos, e não se comparem com outros artistas. A arte é uma jornada de autodescoberta, e cada trabalho que vocês criam é uma oportunidade de aprender algo novo e se desenvolver como artistas. Então, sigam em frente com confiança e paixão, e lembrem-se de que a jornada é tão importante quanto o destino final.






Andrea Mariano
Andrea Mariano

PREMIAÇOES:

Melhor Artista Plástica de Princesa Isabel – PB, do ano de 2019, 2020 e 2021


ACADEMIA PRINCESENSE DE LETRAS E ARTES DE PRINCESA ISABEL (APLA)

Acadêmica Titular da Academia Princesense de Letras e Artes de Princesa Isabel – APLA, Cadeira 02, tendo como Patronesse a Escritora Ada Florêncio Barros da Nóbrega.



MENÇÃO HONROSA:

Homenageada na “V semana de Cultura,” com tema “Princesa do Sertão: cultura, folclore e tradição.” Período: 13 a 20 de setembro de 2023, em Princesa Isabel, PB;


Homenageada com a “Comenda Nathália do Espírito Santo,” pela Câmara dos Vereadores da cidade de Princesa Isabel, PB. 20 de junho de 2023;


Homenageada com “Moção de Aplausos,” pela Câmara dos Vereadores da cidade de Princesa Isabel, PB em. 20 de junho de 2023; •


Homenageada pela UP Time Art Gallery pela Exposição Internacional (FIABCN - Fira Internacional d’Art de Barcelona), realizada entre os dias 04 a 05 de novembro de 2022, em Barcelona, Espanha, no Museu Marítimo de Barcelona.



Comentários


contato

Receba nossas novidades

Obrigado por se inscrever!

IMG_4779.PNG

UP Time Art Gallery

Shopping West Plaza

Av. Francisco Matarazzo s/n

Piso 1 - Bloco C

São Paulo

Horários

segunda a sábado | 10h às 22h
domingo | 14h às 20h

Contato

+55 11 99724-0909

+55 11 99597-5789

contato@uptimegallery.com

Social

  • Instagram
  • Facebook
  • Youtube

© 2019 UP Time Art Gallery

bottom of page