Estranhas Familiaridades
Exposição Individual | Júlia Dalcastagné
Curadoria: Marisa Melo
Curatorial
Se há um elemento capaz de reunir as pinturas de Julia Dalcastagné, ele está no olhar. Os personagens encaram o espectador de maneira direta, transformando os olhos no principal campo de tensão da imagem. A artista define esse olhar como venenoso, uma presença que seduz e produz desconforto ao mesmo tempo. É essa ambiguidade que aproxima o público das figuras e impede uma leitura imediata de suas intenções.
A exposição nasce dessa experiência. Há algo reconhecível em cada personagem, mas também algo que permanece fora de alcance. As figuras carregam fragmentos de contos de fadas, mitologias, histórias em quadrinhos, filmes e narrativas fantásticas, reorganizados em uma linguagem própria. A identificação acontece rapidamente, mas nenhuma imagem se fecha numa interpretação definitiva.
Cada obra apresenta personagens e símbolos que estabelecem relações abertas, conduzindo o observador por um percurso construído pela associação e não pela explicação. O mistério não surge da ausência de referências, mas da maneira como elas são reorganizadas. Quanto mais familiares essas imagens parecem, mais escapam a uma leitura única.
Julia Dalcastagné constrói uma pintura que transforma o repertório visual da cultura contemporânea em um campo de incerteza. As figuras encaram o espectador antes de serem encaradas, deslocando continuamente a posição de quem vê. É nesse jogo entre reconhecimento e estranhamento que a exposição encontra sua unidade, convidando o público a percorrer imagens que permanecem abertas mesmo quando parecem inteiramente familiares.
Realização: UP Time Art Gallery
Curadoria: Marisa Melo
Marisa Melo
abertura
15 de agosto de 2026
local
UP Time Art Gallery
Av. Francisco Matarazzo s\n
Água Branca - São Paulo
Shopping West Plaza
Piso II - Bloco B
sobre a artista
Julia Dalcastagné nasceu em Florianópolis e desenvolveu sua formação artística em diferentes países. Desde a infância teve contato com desenho, música e práticas manuais, ampliadas pela educação em uma escola Waldorf, onde trabalhou com caligrafia, aquarela, argila e marcenaria. Viveu um período determinante em Londres, frequentando museus como a National Gallery, experiência que aprofundou seu interesse pelo realismo e pela observação direta. A partir desse contato passou a explorar grafite, carvão e crayons, construindo um repertório que acompanhou sua transição para a pintura.
Na adolescência, a artista encontrou no desenho uma forma de organizar vivências pessoais e leituras literárias, criando personagens com traços mais marcados, frases curtas e uma abordagem gráfica própria. A opção pelo curso de Artes Visuais consolidou essa direção. Na universidade experimentou guache, acrílica e óleo e desenvolveu interesse por artistas como Goya. Seu trabalho de conclusão dialogou com o universo da ilustração e reforçou sua ligação com narrativas visuais.
Após formada, Julia viveu um ano na Itália, em Monza, onde se especializou em quadrinhos e ilustração. Lá aprofundou técnicas de desenho e estudou caligrafia e Pollymer Clay, ampliando sua pesquisa para o campo tridimensional. De volta ao Brasil, dedicou-se à ilustração e aproximou-se de referências como Camille Rose Garcia e Ayami Kojima, artistas que trabalham contraste entre cores intensas e sombras marcadas. Nos últimos anos retomou a pintura a óleo, unindo o rigor aprendido no realismo ao imaginário que moldou suas experiências anteriores.
Julia participa de exposições no Brasil e no exterior, com passagens por Paris, Osaka, Itália, Finlândia, Portugal e Bélgica, além de ter integrado a Luxemburg Art Prize e a Bela Bienal do Rio. Sua produção abrange desenho, ilustração e pintura, articulando técnicas variadas e uma pesquisa que se renova conforme avança seu percurso artístico.
Ilustração
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Pintura

Exposição
































